segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

RAQUEL TEIXEIRA: DESAFIOS E ESPERANÇA




Nos últimos anos era comum perceber nas redes sociais ou ouvir em conversas com professores e pessoas ligadas ao meio que a maior aspiração da classe era o sonhado retorno da Professora Raquel Teixeira à pasta da educação.
Posso afirmar sem medo de errar que Professora Raquel é unanimidade no setor. E não é por menos.  Tem vivência na área! Seja como Professora ou em funções relevantes que exerceu ao longo da vida. Iniciou no magistério aos quinze anos de idade e ocupou de forma brilhante e marcante diversas funções em diferentes instituições.
É formada em letras e professora titular da Universidade Federal de Goiás. Membro do Conselho Nacional de Educação de 1999 a 2001 relatou o projeto das Diretrizes Curriculares para a Formação em Nível Superior de Professores de Educação Básica. Foi presidente do CONSED - Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Educação e participou ativamente do Plano Nacional de Educação. Integrou também o CNPQ e CAPES.
Deputada federal por dois mandatos consecutivos (eleita em 2002 e 2006) teve atuação profícua e relevante no parlamento brasileiro, onde recentemente teve projetos lá apresentados sendo aprovados, deixando um legado importantíssimo. É de sua autoria o projeto de lei que incluiu mais um ano no ensino fundamental. Por tudo isso, tem conhecimento de causa, sabe das necessidades, dos desafios e aspirações da classe da educação.
Não obstante sua trajetória, conhecimento do setor e elevada competência, a Professora Raquel Teixeira terá que lidar com os erros decorrentes da inabilidade e inexperiência cometidos na gestão de Thiago Peixoto, que de forma autoritária, sem diálogo e aproveitando dissidências do meio sindical, promoveu equivocadamente a retirada - de forma abrupta – de direitos duramente conquistados, dentre eles a titularidade.
Vale lembrar que o economista e ex-secretário Thiago – que foi reeleito deputado federal graças ao quociente eleitoral proporcionado pela avalanche de votos do populista Delegado Valdir - nunca estudou em uma sala de aula no Brasil, teve sua formação regular e acadêmica nos Estados Unidos da América.
Uma das esperanças depositadas em Raquel é que esses direitos, que eram considerados pétreos e tornavam mais interessante e atrativa a carreira do magistério, voltem. Ainda que Goiás, como os demais estados da federação, passe por dificuldades financeiras.
Os desafios não se limitam à educação. A superpasta que Raquel assume engloba cultura e desporto. A Secretaria Estadual de Cultura nos últimos anos foi desmontada. Tinha cerca de seiscentos servidores e hoje conta com pouco mais de cem. Perdeu importância e operacionalidade, apesar dos recursos destinados ao setor, como o Fundo Estadual de Arte e Cultura e os compromissos assumidos pelo Governador Marconi Perillo.  E o desporto é complemento, importante auxiliar no processo educacional.
E o mais importante nesse momento é que cada professor, cada funcionário administrativo arregace as mangas, e apoie a professora que está na cadeira de Secretária.
É hora de um verdadeiro “Pacto pela educação” saído da base. A aspiração da classe foi contemplada. O que era sonho se torna realidade. Todos sabem da capacidade, seriedade e compromisso da Professora Raquel Teixeira. Ela tem visão macro de mundo, voltada para a promoção de avanços significativos na educação e isso inclui a formação constante e valorização dos profissionais da área.
A esperança de mundo melhor passa por uma educação melhor, com resultados práticos e verdadeiros. E essa esperança se chama Raquel Teixeira. Foi a melhor secretária de educação de Goiás em todos os tempos e também é a melhor escolha do Governador reeleito Marconi Perillo.
Bom trabalho, Professora Raquel.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL




Aos amigos queridos, leitores que tanto valorizam as singelezas que aqui publico, meu desejo de um Feliz Natal.

Que o Menino Jesus renasça nos corações, em forma de amor,  felicidade, harmonia, paz e bem!

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

DA CHUVA, DA SAUDADE QUE ME VEM




Depois de ansiosa espera, com as famosas pancadas previstas e não acontecidas, a chuva finalmente deu o ar da graça. Chegou depois de uma manhã de sol, de canto de pássaros e leve brisa vinda do norte.
As nuvens negras em movimento tinham um ar assustador, mas, depois de um vento forte, as gotas de agua vieram, firmes e grossas, para escorrer a poeira e a fuligem das arvores que embelezam nossa cidade.
Forte no inicio, e aos poucos ficando calma, a benfazeja irmã-chuva acalentou o sono. Com ela, a noite transcorreu mais tranquila. Impossível não dormir bem, desejando que a madrugada permanecesse e o dia demorasse a vir.
Ao levantar, diante dos primeiros raios de luz fui até a varanda e observei o quintal. Estava molhado e a terra, parecia agradecer a generosidade da presença da chuva que continuava a cair.
Alguns pássaros mais animados saíam de seus ninhos e ensaiavam voos curtos, como a saudar a presença de tão importante momento da vida.
Ao olhar para o pé de goiabas, carregado de frutos ainda pequenos, recém-saídos das flores, eu me senti na infância.
Me vi menino, quando sob o sol ameno das manhãs de primavera da Fazenda Nova América, montado em pelo no velho e manso cavalo, saia a buscar frutas no pasto e nas matas que ficavam por perto.
Antes de sair, recebia as recomendações de minha mãe, para que tivesse cuidado que e não demorasse. E ainda que passasse na casa da minha avó e trouxesse um requeijão que havia sido feito na véspera.
Era tudo o que eu queria. Apesar de muito pequeno, poder sair pelo campos em busca de cajus, guarirobas, cocos de tucum, muricis, guapevas, mangabas, mutambas, ingás e, claro, goiabas: das vermelhas e das brancas, que eram doces e grandes.
Era generosa a natureza. Não precisava ir longe e logo estava com as pequenas sacolas de pano, os embornais - que naquele tempo chamavam também de capangas - cheias, quase derramando. E ao pé de cada fruteira me deliciava. Para logo buscar outra espécie, outro sabor da terra.
Depois desses momentos, cumprir a obrigação, atender ao que pedira minha mãe. Então ia até a casa de minha avó. Era uma alegria imensa. Vovó era amável, meiga e generosa, e me recebia com amor e carinho. Após tomar-lhe a benção, ela me abraçava, trazia ao colo e me cobria de beijos carinhosos.
Depois me levava à ampla cozinha, e eu, embora sem muita fome ou vontade, face à fatura que acabara de degustar no mato, me servia de doces, pães de queijo, bolachas caseiras e tudo, com aquela dose de encanto e carinho que vinha através de seu olhar.
Chegava a hora de voltar para casa. Pedia novamente a bênção e depois de ouvir um “Deus te faça feliz”, deixava o cavalo com a rédea solta, pois ele, mansinho, sabia o caminho de volta.
No caminho, passar no canavial e arrancar umas duas ou três canas para garantir o lanche da tarde. Era uma infância feliz e rica.
A chuva que veio nessa primavera, me trouxe essa saudade, essas lembranças. Saudade de um tempo que embora não volte, está bem presente, bem dentro de mim, no meu coração. Meu coração, que ainda, é menino.





domingo, 23 de novembro de 2014

NÃO TE VI...





Eu te vi e
Tive alegria
Qual um bem-te-vi
Que tive aqui
No meu quintal

Tive
Um bem-te-vi
No coração
Que me deu a alegria
Igual a
Quando
Te vi

Tive você...
E bem te vejo
No coração...

Quanto não te vi
Senti falta,
Saudade
De ti...
Saudade de
Quando te vi
Bem ali
Sob luzes,

Diante de mim...


---

#Deumpoetaqualquer

sábado, 22 de novembro de 2014

SOMENTE...




Para que
A poesia nunca me falte,
Para que a poesia
E a sensibilidade
Nunca me abandonem,
Para que meu coração esteja
Pleno,
Completo,
Seguro,

Basta que
Eu tenha você perto de mim.
Basta que receba
A luz do teu sorriso,

Que é
Pura e simplesmente
A essência
Do mais
Belo
E inspirador poema!

-*-


#Deumpoetaqualquer




A MUSICA BRASILEIRA FEITA EM GOIÁS




Aos primeiros momentos do show “Trinta aos esta noite” do Cantor e Compositor Fernando Perillo e Banda Kalunga, no acolhedor Centro de Cultura e Convenções Nelo Balestra na cidade de Inhumas - GO, eu pude observar três jovens que foram os primeiros a chegar ao local, acompanhados dos pais ou tios, suponho, mas que logo desgarraram deles e foram para a primeira fila.
Com a inquietude típica de pré-adolescentes, ficaram mais calmos somente quando o show começou e o artista e a banda entraram. Aos poucos, começaram a interagir.
Em determinado momento os observei cantando de forma efusiva as musicas magistralmente interpretadas pelos artistas no palco, juntamente com o público presente. Em tempos de bombardeio da mídia, em função de estilos musicais como “Arrocha”, “Sertanejo Universitário” e outros, ver jovens adolescentes vibrando e cantando a musica brasileira feita em Goiás com alegria e brilho no olhar, é mesmo gratificante.
Mas isso não é por acaso. Goiás vive momentos únicos no setor.  A efervescência na arte e na cultura é nítida.  Nunca se publicou tantos livros, lançou-se tantos CD’s e DVD’s como agora. O governo estadual investiu no ano de 2014, a partir de verbas do Fundo Estadual de Cultura algo próximo de quinze milhões de reais, caso único, sem similar no país. E está com os pagamentos todos em dia.  
Temos artistas de talento incomensurável, bandas e músicos ao nível dos melhores do pais. A volta a Goiás de músicos como o internacional Evaldo Robson, talentoso poeta do Sax e da Flauta é o retrato mais visível disso. A perfeição dos acordes do múltiplo artista Emídio Queiroz e do Professor Nonato Mendes, a percussão mágica de Sérgio Pato, tudo isso resulta em um trabalho de qualidade.
Além do apoio financeiro do governo, temos exemplos de empreendedorismo que merecem ser louvados e seguidos: recentemente, a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, conduzida pelo Maestro Eliseu Ferreira da Silva fez uma turnê coroada de sucesso, na Alemanha, berço da musica erudita. E, totalmente sem utilização de recursos públicos. O financiamento da viagem de mais de sessenta integrantes foi através de doações e trabalho junto à iniciativa privada.
No Centro de Educação Profissional em Artes Basileu França, desde 2013 funciona o Curso Superior de Tecnologia em Produção Cênica, que já teve seu segundo vestibular e em 2015 formará sua primeira turma. Futuros produtores cênicos, que preencherão com profissionalismo e conhecimento adquirido na Academia as lacunas existentes no mercado de Produção em Goiás e no Brasil.
Em outro vértice, é necessário que se invista também em formação de plateia. É preciso que o povo goiano se habitue a sair de casa e ir ao teatro, aos magníficos espetáculos que diariamente ocorrem por aqui. Temos casas maravilhosas, além do teatro Goiânia. Os exemplos mais recentes são o Teatro Sesi e o Teatro Sesc Centro. Casas maravilhosas e que estão á disposição da classe artística e da sociedade para a apresentação de projetos bem elaborados e de qualidade.
A imagem dos jovens adolescentes de Inhumas permanece em minha memoria, mesmo que, tenham saído antes do final do show, por insistência ou necessidade daqueles que os acompanhavam.
Como na canção de Renato Teixeira e Almir Sater, vamos sim, “compreender a marcha e ir tocando em frente”. Para o bem da cultura que alimenta a alma e acalenta o coração. E viva a arte! Viva a musica brasileira feita em Goiás.

-*-






BOLERO




Nosso amor
É como a obra prima
De Ravel.
Começa sutil
Suave
Com a leveza das orquídeas...

Beijos,
Toques de mãos
Roçar de corpos.
Suavidade e ternura.
Estamos em MI...

Logo
Aquece-se!
Torna-se pleno
Ritmado
Denso
Movimentos
Em Si.

Depois,
Intensidade!
Vibração!
Viagem!
Gozos plenos
Em Sol Maior!

Nos aplaudimos!!!
A sinfonia, 
Foi perfeita!
Bravo! Bravíssimo!

-*-

#Deumpoetaqualquer



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

INHUMAS RECEBE FERNANDO PERILLO E O SHOW "TRINTA ANOS ESTA NOITE"



O cantor e compositor Fernando Perillo e a Banda Kalunga apresentam na noite de hoje, quarta-feira, 19 de novembro, na cidade de Inhumas – GO, o Show “Trinta anos esta noite”, encerrando assim a temporada 2014 do “Projeto Circuito Universitário”.
A organização do show é da UEG Campus Inhumas e a entrada é franca.
O “Projeto circuito Universitário” que é amparado pelo “Programa Estadual de Incentivo à Cultura de Goiás – Lei Goyazes”, percorreu os principais centros universitários do estado, levando de forma gratuita a musica feita em Goiás.

A apresentação será no Centro de Cultura e Convenções Nelo Egídio Balestra, e terá inicio às 20:30 horas.







sábado, 15 de novembro de 2014

TALVEZ...




Talvez esqueça
Que pensei
Nunca te esquecer...
 Afinal,
Teu perfume,
Ainda está
Aqui...

Talvez, esqueça...
Até que um dia lembre
De
Um pôr do sol
Em tarde
Iluminada por
Teu sorriso
Com trilha sonora de
Bem-te-vis
E caricias de brisa em
Minha face...

Talvez, eu
Te fizesse poemas,
Ainda
Que
 A doçura de tua voz
É poema inigualável...


Talvez,
Tenha mesmo esquecido,
Te esquecer...


-*-

#Deumpoetaqualquer

ASSIM...




Te via tão perto...
Te sentia tão perto...
Tão perto!
Ao lado esquerdo,
A te encontrar
Sempre
No ir e vir
Do coração...

Eis que
Te sinto longe
Tão longe...
Na opacidade causada
Pelo que vem
Da alma
Através do
Meu olhar...

Perceber apenas
Meias palavras...
Poucas palavras...
Ou,
Nenhuma palavra.


Será que é
Saudade
Daquilo que
Nunca existiu?


MEU AMIGO PAULISTA E O CAFÉ DA MANHÃ




A manhã de sábado, feriado da Republica me encontrou letárgico e meio que sem coragem. Não obstante a trilha sonora de bem-te-vis, sabiás, pardais e outros pássaros do quintal. O tempo estava nublado e ideal para ficar quietinho.
Mas tenho obrigações, dentre elas a crônica semanal. E começou a me inquietar o fato de não ter muito assunto para relatar, para dizer aos meus amigos e leitores que generosamente, prestigiam as singelezas que me atrevo a escrever.
A semana foi movimentada e interessante. O trabalho do dia a dia, as aulas na faculdade, o show do Cantor Fernando Perillo e Banda Kalunga na Faculdade União de Goyazes na bela Trindade, tudo foi coroado de sucesso.
No show em Trindade, além da excelente recepção do staff da Faculdade União de Goyazes, o fato principal foi a participação e a receptividade do publico à musica feita em Goiás. Foi tudo perfeito: a Banda Kalunga e seu som de altíssimo nível, o cantor Fernando Perillo contagiando com seu talento e a plateia receptiva e participativa entoando os grandes sucessos do artista, clássicos da MPB e outros hits do cancioneiro, como “Tocando em frente” de Renato Teixeira, “Trem das sete” de Raul Seixas e Paul Coelho.
Depois, uma visita à bela Inhumas, onde na UEG ficou tudo acertado com a Diretora Carla Conti para novo show. Conheci o belo e acolhedor Centro de Cultura e convenções Nelo Balestra que receberá dia dezenove, quarta-feira Fernando Perillo e Banda Kalunga.
Voltando ao assunto da falta de inspiração, em conversa nas redes sociais com um amigo, paulista de nascimento e já quase goiano, afinal, um dia aportou por aqui e experimentou o arroz com pequi . Afirma preferir a pamonha.  Ele me indica que certamente hei de encontrar inspiração caso busque um café passado no coador de pano e que tenha pães de queijo para acompanhar.
Respondi que ideal seria café passado no coador, no bule e deixado sobre a chapa do fogão à lenha, onde se mantém sempre quentinho. Nessas afirmações, viajei à minha infância quando na fazenda do meu avô, pela manhã, via os homens que cuidavam do gado, após o longo trabalho de tirar o leite, vinham até a cozinha onde minha avó servia ovo frito mole com farinha de puba e linguiça de porco.
Fui à cozinha, vi que tinha um pedaço de linguiça pronto, daquelas bem apimentadas da feira de Trindade, e não me contive: fritei um ovo de galinha caipira, coloquei no prato com farinha de puba - sim, eu tenho farinha de puba em casa – acrescentei a linguiça pura, apimentada e estava pronto meu café da manhã.
Degustei sorvendo café forte, fumegante e saboroso. Me senti  na fazenda do meu avô, na minha infância, dentro da minha saudade.
Mas, continuo em busca de inspiração... Dei conta de fazer apenas de um poemeto... Quem sabe, a inspiração chegue muito breve... Um Sabiá, canta aqui perto. E o coração, inquieto e ansioso, está em atividade. O cérebro, bem, esse se recusa a trabalhar... Creio que pelo feriado.



quarta-feira, 12 de novembro de 2014

FERNANDO PERILLO CANTA EM TRINDADE - GO





O cantor e compositor Fernando Perillo e a Banda Kalunga apresentam nesta quinta-feira, 13  de Novembro, as 20:30h  no Anfiteatro da Faculdade União de Goyazes em Trindade – GO, o show “Trinta anos esta noite”.
No show, Fernando Perillo, acompanhado pela Banda Kalunga, apresenta as canções que marcaram sua trajetória musical em trinta anos de carreira, como "Último Sopro" e "O outro lado da lua".
O show terá inicio as 20:30 horas e faz parte do projeto Circuito Universitário, com incentivo da Lei Goyazes.



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

EM TARDE DE POESIA E LITERATURA, NO CEPI CARLOS ALBERTO DE DEUS




A ansiedade tomou conta, enquanto dois estudantes liam minha simples trajetória de vida, enquanto eu aguardava para entrar naquela sala, onde uma turma de adolescentes me esperava. Eram alunos de ensino médio, na expectativa de ouvir um cronista, que diariamente milita com as letras, em um teclado de um computador, quando se põe a escrever histórias.
Confesso que estava um pouco tenso. E diante de aplausos, ao entrar fiquei como menino tímido, quase sem palavras. Mas a emoção, que teimava em me dominar, teve que ser vencida.
Estava diante de alunos do CEPI Carlos Alberto de Deus, em Goiânia. Quando os aplausos cessaram, tentei retomar o eixo da minha palestra, que havia cuidadosamente preparado para que pudesse dizer daquilo que tanto gosto de fazer.
Me senti como um daqueles jovens. Me senti quando tinha aquela idade, frequentava os bancos do querido Lyceu de Goiânia e sonhava com o futuro.
Fiquei emocionado ao perceber na parede meu nome, em letras estilizadas.   Eis que a responsabilidade ficou maior, afinal, não poderia decepcionar minha atenta e receptiva plateia.
Após os cumprimentos, me entreguei de corpo e alma à minha missão. Da alegria de estar ali e como as letras, os livros, a leitura e a literatura sempre estiveram presentes em minha vida.
Comecei convidando-os a um passeio pela minha infância, à querida e saudosa Fazenda Nova América, onde meu pai fundara uma pequena escola rural e eu, teimosamente, insistia em assistir às suas aulas, ainda que ele não quisesse que eu estivesse ali, devido à minha pouca idade. Mas, teimei e consegui meu cantinho e assim, meu primeiro contato com o saber e com os livros.
Logo aprendi a ler. E um mundo magico e apresentou diante de mim. A vida seguiu, o tempo foi passando e a poesia se aproximou. O coração, sensível fez com quer ela aparecesse de forma mais intensa. Um dia conheci a literatura e a musica feitas em Goiás. Era adolescente e em encantava com as vozes e canções de Pádua, Jorge Lyra, Fernando Perillo, Anete Teixeira, João Caetano, Ely Camargo, Luiz Augusto e Amauri Garcia, dentre outros.
Conheci a poesia de Luiz de Aquino, cujos sinais da madrugada permaneceram na menina dos olhos, até que viesse a coletânea de seus poemas do século vinte.
Comecei a escrever, influenciado pela obra de Jean Pierre Conrad, que descrevia o cotidiano de forma simples e bela. Mas a poesia ficou adormecida. Parei de compor poemas, limitando-me ao mundo das crônicas.
Um dia deparei-me com a obra do poeta Getulio Targino. Não me contive e mesmo com minhas limitações, parti em busca de inspiração e fiz um retorno à poesia. Compus alguns poemas singelos, onde falava de estrelas, de olhares, mãos entrelaçadas, de saudade...
Após essas divagações, me senti à vontade para pedir aos alunos do CEPI Carlos Alberto de Deus, que leiam Alencar, Machado de Assis, que leiam e se encantem com Drummond, Vinicius, Cecilia, Ferreira Gullar.
Mas que procurem conhecer as canções de Pádua, Fernando Perillo, Marcelo Barra, Chico Aafa, a poesia densa e profunda de Getulio Targino, de Nasr Chaul, de Mendonça Teles. As histórias maravilhosas de Carmo Bernardes, de João Afonso Berquó Filho, de José J.Veiga, Cora Coralina. Que conheçam a beleza da musica, da literatura, da poesia feita em Goiás.
Afinal, Goiás possui um imenso e rico acervo de títulos, poemas e canções, que vão de encontro aos anseios da alma e do coração. Trazem a ternura contida em sua essência.
Não posso deixar de dizer um muito obrigado aos agora amigos do CEPI Carlos Alberto de Deus. À direção da escola, à Professora Helda Nubia, pelo carinho da recepção. À Professora Vera Lucia Paganini pela indicação e pelo prestigio. E ao Escritor Dionísio Machado por compartilhar e trazer sua história de vida, suas ricas experiências.
Tenho agora, ainda mais responsabilidade. Responsabilidade e compromisso de continuar a escrever pensando naqueles que se debruçarão diante de minhas singelas páginas. Páginas simples, que continuarão sempre a vir com muito sentimento, de dentro do meu coração. E esperar que, em breve, possamos nos reencontrar!










sábado, 1 de novembro de 2014

ELEIÇÕES 2014: VENCEU E PREVALECEU A DEMOCRACIA




No inicio dos anos 1980, pouco tempo depois de ter chegado em Goiânia para morar definitivamente, havia ainda o medo e a presença ostensiva do pensamento do regime militar, ainda que soprassem os ventos da sonhada redemocratização do país.
Ainda havia o medo! Medo de, por um motivo ou outro ser considerado subversivo ou agitador. Mas, a resistência e a sede de democracia começavam a tomar forma e volume, e as reuniões de vários grupos, sejam anarquistas, comunistas ou de correntes políticas aceitas à época, eram frequentes.
O PDT de Brizola começava  tomar corpo em Goiânia, na figura do advogado Aureolino Neves e muitos partidos começavam a mostrar a cara de seus militantes.
Mas, a situação, apesar da anistia poucos anos antes, não era fácil. Lembro que para apresentar uma peça de teatro infantil, como “O rapto das cebolinhas”, de Maria Clara Machado, como era necessário oficiar a policia federal e obter um carimbo no oficio com o destaque “autorizo” e uma chamegada da caneta de um agente publico.
O clamor da sociedade cresceu e veio o movimento das “diretas já”. Partidos políticos, entidades religiosas, de classe, e toda a sociedade brasileira esteve unida no sonho.
Foi bonito, foi emocionante ver as praças cheias, os palanques lotados e a motivação tomar conta dos brasileiros. Artistas do porte e com a carreira de Milton Nascimento e seus parceiros compuseram canções como “Nova Republica”, onde expressavam a sede de democracia e liberdade.
A pressão obteve êxito, mas de forma parcial. Os militares aceitaram entregar o poder aos civis, mas em eleição indireta, onde o novo presidente da republica seria escolhido pelo congresso nacional.
Era uma situação que precisou habilidade política. Depois de tanto tempo de obscurantismo, aceitou-se a distensão de forma lenta e cautelosa. Os candidatos à Presidência da República eram dois. Representava àquele momento o passado Paulo Maluf e o futuro, a liberdade, era vista na candidatura de Tancredo Neves.
Todos sabem o resultado daqueles momentos. Tancredo adoeceu às vésperas da posse, vindo a falecer posteriormente e tomou posse o vice-presidente eleito, Jose Sarney.
O tempo passou e em 1989 o até então desconhecido Fernando Collor de Melo utilizou bem a nova ferramenta que permitia a exposição de seu partido na TV, o desconhecido PRN, e venceu ao então candidato do PT Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde então temos eleições regulares e os eleitos, cumpridas as exigências da legislação eleitoral tomam posse e governam sob a égide da democracia.
Em 2014, tivemos certamente a eleição mais disputada de todos os tempos da republica. E um festival de baixarias, de ânimos acirrados, tanto dos candidatos, como dos militantes. Nos debates, onde todos tiveram tempo e voz por igual, surgiram vozes que expuseram seu ponto de vista, mesmo que considerados retrógrados ou mesmo homofóbicos, mostrando extremismo religioso e ideias afins. Mas,  eleitor soberanamente mostrou seu voto e definiu mais uma vez os rumos do pais, deixando dois candidatos para a disputa do segundo turno.
Hoje, temos um fenômeno de informação e ao mesmo tempo, um local que se tornou campo de batalha, terra de ninguém. Trata-se das redes sociais. Ali, até anonimamente, ataca-se a honra, a injuria corre frouxa e o respeito e a elegância ficam para trás. Houve militantes afirmando que iriam embora do país se determinado candidato ganhasse, se não fosse o de sua preferencia. Absurdas, deselegantes e inadmissíveis posturas.
Ao final das eleições, quando divulgados os resultados, notou-se uma disputa voto a voto, muito acirrada, sendo sempre muito próximos os números de cada candidato.
Nota-se uma enxurrada de idiotices nessas propaladas redes sociais. Primeiro, estimula, ou tentam estimular a divisão do país em dois, o que votou na candidata Dilma e o que votou no candidato Aécio Neves. Culpam erradamente programas de inclusão como o bolsa família, cuja ideia e aplicação surgiu justamente em Goiás, no primeiro governo de Marconi Perillo. Programa que foi copiado, ampliado e otimizado pelo governo federal.
Para alguns, a reeleição na presidência é continuísmo, mas para governador, não é. Contrassenso e paradoxo desnecessário.
As eleições transcorreram sob a égide do sistema democrático. E o resultado, ainda que fosse por apenas um voto de diferença, refletiria a vontade da maioria, o que prevê e garante o sistema democrático.
O Brasil tem grandes desafios a ser enfrentados, dificuldades para superar e objetivos a alcançar. Não temos dois brasis.
Mesmo que contrariados com a derrota de seu candidato, o certo é esperar quatro anos, trabalhar no campo das ideias e fazer valer seus argumentos diante do eleitor, de acordo com a democracia.
Golpismo, deselegâncias e teorias conspiratórias em nada acrescentam. Somos apenas um país, que cresce, tem futuro e depende de nós para que seja cada dia mais forte.
Portanto, viva o eleitor brasileiro. Venceu e prevaleceu a vontade da maioria, seja nos estados ou em nível federal. Vivas à democracia! Respeite-se a vontade do eleitor!



sábado, 25 de outubro de 2014

CELG: A LINHA DA INSENSATEZ





Ao final da tarde da tarde da ultima quarta-feira, 22, quando passava na confluência das Avenidas Madri e Contorno Sul, no Parque Anhanguera, uma cena me tocou e entristeceu.
Acostumado a passar ali e me encantar com as maravilhas que a Primavera traz, não me contive ao ver a trágica cena. Meu coração bateu forte... As imagens são trágicas.
Um belo exemplar de Flamboyant caído, ainda cheio de flores da primavera, vitima da motosserra e da insensatez de uma empresa que tenta a todo custo implantar uma linha de transmissão com corrente de alta tensão, que extrapola em muito os limites e recomendações das autoridades mundiais de saúde. Um absurdo se levarmos em conta as dimensões das avenidas do percurso onde essa linha passará – espera-se que a justiça impeça isso – e contra todas as normas técnicas e convenções de segurança que regem o avanço das linhas de transmissão.
Sem contar que essa linha passará diante de postos de combustíveis, atravessará locais de nascentes, como do Parque Macambira Anicuns e em  alguns casos, ficará a poucos metros das residências.
Revoltados moradores unidos e em manifestação livre protestaram contra a esdruxula linha da insensatez. Mas para a CELG, não importa a posição dos moradores nem normas e regras de segurança.
O resultado está à vista de todos: além do total risco à vida de quem mora ou transita pelo local, a desvalorização dos imóveis já acontece. Afinal, nenhuma pessoa vai querer criar seus filhos ou viver sua velhice em um local perigoso como será esse.
Uma constatação: a criminosa omissão e a imposição de um vale-tudo de interesses, com a complacência de órgãos ambientais e da CELG.
Lamentável e triste a cena do outrora belo e majestoso Flamboyant... Outras árvores, como as Palmeiras imperiais, estão sendo e serão massacradas, mortas, extintas... Tristeza...
Os moradores não estão calados nem inertes. Ações judiciais foram e estão sendo protocoladas e espera-se para as próximas horas que haja manifestação da justiça.
A vida é um bem inalienável. E a linha da insensatez, adotada pela CELG, não pode prevalecer ante o direito de todos. Diante da gravidade dos fatos, seria importante que o governador Marconi Perillo assumisse a interlocução com os moradores e a CELG e promova a imediata paralisação das obras dessa obra.
A vida, o meio ambiente e as próximas gerações, agradecem.




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PROFESSORES: ANJOS DE LUZ




A movimentação na Fazenda Nova América naquela semana foi fora do normal. Primeiro, pela presença incomum de jipes da Prefeitura da pequena vila levando pacotes e material, dentre eles um quadro negro, de porte médio, que meu pai cuidadosamente pendurou na sala da casa simples.
Uma pilha de cadernos fora deixada no canto da sala e novos bancos de madeira foram integrados ao parco e simples mobiliário ali existente.
Minha curiosidade durou até que ouvi meu pai dizer que ali seria uma escola. E interessante que meu pai disse a um vizinho de fazenda o seu proposito, tendo sido advertido por este que de nada adiantaria querer ensinar a pessoas ignorantes e sem cultura, que meu pai teria dor de cabeça e de nada valeria.
Ouvi meu pai humilde e calmamente responder que era seu proposito fazer aquilo e achava estar no caminho certo. E que apesar das dificuldades que sabia que encontraria, tocaria adiante o projeto, afinal, naqueles rincões escola era algo inimaginável.
Depois das pequenas reformas, na casa simples de taipa e telhas de barro, chegou o grande dia. Naquela tarde quente e de pouca brisa começaram a chegar os futuros alunos da Escola Santa Genoveva. Chegaram tímidos, alguns com as melhores – embora simples – roupas que dispunham, estranhando a botina rangedeira que machucava os pés. Ficaram um pouco distantes, arredios e quando solicitados por meu pai que se aproximassem, lentamente entraram dentro da casa. Se acomodaram nos bancos rústicos de madeira e tímidos, calados, ouviram meu pai dar-lhes as boas vindas e dizer das regras da escola.
Depois disso todos ficaram de pé e tentaram entoar o hino nacional, puxado por meu pai ao violão.
Eu, no inicio, por ser muito criança era proibido de entrar na sala. Mas não me contive e aos poucos, fui chegando, chegando e passei a assistir às aulas. Como eram interessantes. Fui me encantando ao ouvir sobre a história do mundo, geral e do Brasil, sobre as civilizações greco-romana, berço do saber e do conhecimento. Ficava encantado ao ouvir a leitura das lições de português, onde pequenos textos eram apresentados.
Havia um intervalo, onde era servido um lanche típico da região, em que cada família ajudava o como podia. Alguns sequer podiam ajudar, mas meu pai não se importava. Para ele o importante era que aqueles rapazes e moças frequentassem as aulas e a partir dali pudessem levar algo que os ajudasse nas dificuldades da vida.
Ali foi minha primeira experiência em uma escola. Escola simples, de bancos de tabuas e um único professor para todas as matérias. Mas inesquecível.
O tempo passou. Um dia a escola foi fechada, por falta de interesse do governo do município. Meu pai vendeu a Fazenda Nova America e mudamos para a cidade, onde passei a estudar em uma escola regular.
Hoje, aos 48 anos frequento novamente os bancos escolares. Diariamente tenho contato com o conhecimento. Conhecimento que me vem através do trabalho e dedicação de professores.
Eu por felicidade tenho o privilegio de ser filho, irmão, esposo e pai de professores.
Que esses profissionais, imprescindíveis à formação humana e ao desenvolvimento do país sejam mais valorizados. Que tenham um mínimo de reconhecimento, para que possam desenvolver a missão que lhes foi confiada e que abraçam como um sacerdócio.
Costumo dizer: professores, ah, os professores, são como anjos: ensinam, encantam e trazem consigo a luz da sabedoria. Obrigado, a todos os Professores da minha vida.
Que, apesar das dificuldades, continuem iluminados, com a certeza do bem que fazem ao mundo.