domingo, 20 de dezembro de 2015

INDIGNAÇÃO, ESPERANÇA, POESIA...




A caminhada em 2015 começou com incertezas e preocupações. As notícias não foram boas e o povo brasileiro teve medo do que viria à frente. Logo, começou o terror do governo, com seus porta-vozes engravatados, todos com cara de gente séria e comprometida com o país, a informar que mais uma vez o povo teria que fazer sacrifícios.
Um dos primeiros atos foi uma absurda e injustificada alta nas tarifas de energia elétrica – deu a impressão que voltaríamos ao tempo da lamparina – que com suas bandeiras sempre vermelhas, claro, viria extorquir o bolso do trabalhador, dobrando o valor da conta, apesar do consumo ser o mesmo, ou até diminuir. Tivemos que nos acostumar com uma nova realidade.
De repente, começam a pipocar no noticiário do radio e da televisão noticias de prisões de grandes empresários e figurões do poder, algo impensável até recentemente. O Brasil, através de sinais que vinham da justiça de primeira instancia do Paraná, começava a acreditar que, apesar da roubalheira instalada, de vergonha explicitada em confissões de corrupção, delações, em depoimentos constrangedores - não para os depoentes – mas para o cidadão honesto e de bem, que trabalha e sustenta esse país desde que Cabral aportou aqui há cinco séculos.
As crianças e jovens de repente se veem cotidianamente diante de vocábulos que até pouco tempo não eram utilizados.  Buscam entender o significado dessas palavras, como algo novo desconhecido, mas que para a maioria dos brasileiros são velhas conhecidas. Inflação e recessão, desemprego e retração da economia era algo que há um ano, poucos previam que acontecesse dessa forma desumana, fruto de irresponsabilidade e da corrupção.
Mas, de uma maneira ou de outra, sempre haveremos de encontrar motivos para sorrir e sonhar. As preocupações do dia a dia com a família, com fatos decorrentes da violência crescente são cotidianas e os rumos que o país pode tomar nos afligem, mas olhando para o lado, vemos a beleza do brilho das luzes do alvorecer, o canto dos pássaros saudando o novo dia, o barulho de chuva mansa caindo e o sorriso puro de uma criança ao encontrar o carinho de seus pais e avós. Haveremos de sentir ternura ao ouvir o murmúrio das águas de um regato debaixo de arvores frondosas, quando se ouvir uma canção e ao abrir um livro de poemas...
Apesar de tudo, penso que devemos acreditar na esperança de dias melhores. O amor e a ternura devem ser companheiros constantes. O firmamento sempre trará estrelas que nos oferecem brilho e poesia.
É tempo de Natal. Que agora e sempre, amor e a harmonia sejam o maior presente. Que apesar de momentos difíceis, a vida seja louvada pela dádiva que é.
Um feliz natal a todos. De esperança, amor, alegria e ternura! E claro, com poemas e canções!




sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

O MENINO DO VALE DE UM RIO QUE ERA DOCE




A manhã chegou diferente para aquele menino. Ele acordou estranhando e procurando a cama onde costumeiramente dormia, mas sentiu que estava em um local diferente. Procurou a cama ao lado da sua, onde dormia seu irmão mais velho, mas nada encontrou, percebeu apenas um amontoado de coisas. Não conseguiu entender o que era. Procurou ainda pela luz na janela que todos os dias vinha acorda-lo, mas viu apenas uma parede bege, fria e diferente.
Tentou reorganizar seus pensamentos e começou a se dar conta da tragédia que ocorrera no dia anterior. Lembrou o barulho forte, o cheiro acre da lama que descia no rumo de sua singela e humilde morada, onde vivia feliz com sua mãe, seu padrasto e seus irmãos e o momento em que nos braços da mãe, tiveram que correr em desespero para salvar suas vidas.
Lembrou onde brincava todos os dias e desenhava na areia fina, onde criava seus personagens, que viajavam nas estradinhas que construía para passar com o carrinho que ganhara ainda no natal anterior. E ele era cuidadoso com os brinquedos – poucos – que ganhava e que sempre eram seus companheiros durante todo o ano.
Dias antes da tragédia que se abateu sobre ele e sua família, pensara no que ganharia naquele natal. Via seu padrasto reclamar que as coisas estavam difíceis, que o pouco que ganhava mal dava para sustentar a família, no que era acompanhado por sua bondosa mamãe. Mãe que vivia trabalhando, que saía cedo em alguns dias da semana para “faxinar” as casas mais abastadas da vila. E ao fim da tarde, cansada, ia cuidar da pequena casa onde moravam, mas não sem antes pegar cada filho no colo e dividir seus beijos e carinhos. E o menino adorava sua mãe.
Lembrou que no natal anterior, umas pessoas diferentes e com ar bondoso estiveram em sua casa, onde deixaram alimentos e alguns brinquedos, dentre eles, o carrinho amarelo que tanto cuidava e com o qual brincava todos os dias.
E estava radiante, pois ouvira de sua mãe que no próximo ano iria para a escola da vila. Sonhava em estar naquela escola pintada de branco, com detalhes em azul, que tanto o encantava. Queria um dia estar ali. Tantas vezes perguntara à mãe quando é que poderia ir até aquele pátio, onde havia um frondoso flamboyant sob cuja sombra ficavam meninos e meninas, que fugiam do sol quente e ficavam a brincar. Passava ali diante da cerca do alambrado e se via debaixo daquela arvore, brincando, correndo... Sonhos de menino.
Ouviu vozes diferentes e voltou à realidade. Não estava em casa e de repente, viu sua mãe chegar amparada por pessoas que não conhecia. Ela tinha o semblante triste. Passou a noite toda em busca de saber noticias de seu padrasto e do irmão mais velho, que haviam desaparecido.
Sentiu ela abraça-lo forte e entendeu o motivo das copiosas lagrimas que derramava. Ouviu entre soluços, ela sussurrar: “meu filho, meu filho...”. E o menino também se emocionou e chorou abraçado à ela.
Vieram pessoas estranhas, um soldado com cara de assustado e os levou para uma grande mesa, onde havia muitas pessoas. Em silêncio, fizeram um lanche, tomaram um café diferente do que tomava todos os dias, como sua mãe colocava na mesa simples todos os dias.
Ouviu de algumas pessoas que não mais retornariam à suas casas. Elas não existiam mais, a pequena vila estava destruída.
A lama levara seu padrasto, um homem calado, mas bom e também seu irmão. Soube que estavam desaparecidos. Pouco entendia o que significava “desaparecido”, mas percebia que era motivo de tristeza.
Lembrou o terreiro onde fazia suas estradas imaginárias, do cãozinho “Muleque”, seu companheiro de alegrias, a casinha simples, a cama onde dormia, os brinquedos e as estradinhas de sonho, que ficaram para trás...
Onde outrora era o vale de um rio que fora doce, agora era retrato da destruição, de triste e amarga realidade. Realidade coberta pela lama...

E o menino sentiu que sonhar, de agora em diante, seria muito mais difícil.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

BALÉ DE SONHO, E FANTASIA




A cortina a abre e o palco, misterioso e encantador desnuda-se diante de uma plateia ansiosa pelo que há de vir. Luzes intensas de variadas cores e formatos ilustram o som da orquestra, que começa suave, tênue, para aos poucos, evoluir e se tornar forte, vigoroso.
Sutilmente, uma bailarina entra em cena, evolui ao compasso da orquestra que, regida por jovem e atento maestro, mostra a perfeita sintonia entre arranjos e movimentos.  A graça, a elegância, e o sorriso firme e verdadeiro em seu rosto vai encantando, tornando aquele momento, de muita técnica, dela e da orquestra, um suave e delicioso deslizar, qual voo de beija-flor...
Súbito a música muda e um grande número de bailarinos e bailarinas entram em cena. Uma musica alegre, misto de dança cigana e dança flamenca. A Espanha se faz presente. O vigor e a alegria dos movimentos são valorizados pela beleza do figurino que adorna corpos esculturais.
Na plateia, uma jovem senhora se emociona ao ver o sorriso das pequenas bailarinas, que ora sentadas, ou em movimento, parecem ninfas a cuidar da heroína da historia. Fica emocionada e sem que perceba, vai até a infância, ao seu tempo de criança e adolescente, quando no antigo cinema da pequena cidade onde morava, assistiu a um filme, em uma sessão de domingo, que contava a historia de uma bailarina. E a partir daí, sonhou um dia ser bailarina.
Eis que a jovem senhora se viu no palco, sob as luzes do espetáculo, acompanhada pelos bailarinos, recebendo a atenção dos acordes e arranjos da orquestra, que tocava para ela. Tocava canções que embalaram seus sonhos de menina-moça, sonhadora e ingênua.
A jovem senhora dançou e evoluiu naquele cenário de sonhos. Levitou e foi feliz naquela ilusão, ainda que por breves instantes.
Foi despertada do seu torpor, ainda com o sorriso de bailarina no rosto, pelas palmas e gritos de bravo, que ecoados da plateia atingiram seu coração.  Bateu palmas acompanhando a todos, mas sentia que os aplausos eram para ela. E o coração batia no ritmo daquelas palmas...
Era sonho, amor, lembranças. E saudade...
Ao voltar para casa, embora acompanhada de amigas, permaneceu calada, sob o efeito da emoção vivida há pouco.
Ao lembrar que o espetáculo permaneceria em cartaz por mais alguns dias, resolveu que viria novamente assisti-lo. Para na sua fantasia, entrar em cena, naquele palco dos sonhos guardados e acalentados na infância.
Dançaria acompanhada pelas ninfas, seria cortejada pelo seu par bailarino e acima de tudo, se emocionaria com as luzes, com os acordes da orquestra, com a magia das canções e com o aplauso da plateia.
Ao voltar para casa, desta vez sozinha, a jovem senhora se sentia novamente menina e agora bailarina. Foi feliz naqueles breves instantes de ilusão e fantasia. Aplaudida pela plateia dos sonhos.




domingo, 1 de novembro de 2015

A LEVEZA DO VIVER





Ao abrir a porta e caminhar em direção ao quintal, nos primeiros momentos da manhã, que ainda trazia vestígios da madrugada, de imediato senti o cheiro de terra molhada, de terra visitada e acariciada pela chuva da véspera.
As últimas e teimosas estrelas insistiam em permanecer no céu e os pássaros alegres e ruidosos abriam o concerto matinal com alegre sinfonia. Executavam sutil balé, em seu ir e vir de árvore em árvore. No chão, a leveza de claras e límpidas gotas de orvalho espalhadas sobre a relva que, após as primeiras chuvas, brotaram verdes e viçosas. O aroma de terra molhada permanecia. À medida que o sol aumentava sua presença com dourados e imponentes raios, o dia ficava mais bonito e encantador.
A chuva da véspera fora forte, acompanhada de ventos intensos e velozes. Os trovões e o clarão dos raios que riscavam o céu incessantemente me levaram à infância, me levaram ao medo que eu tinha quando, pelas frestas do telhado da pequena casa da fazenda acompanhava sua trajetória irregular.
Quietinho, deitado sob as cobertas e parte da cabeça coberta, deixava apenas os olhos, que, assustados se negavam a deixar de acompanhar a tempestade.
Em minha inocência de criança, ficava a imaginar qual seria o destino deles, para onde iam aqueles raios, tão rápidos, que sempre “andavam” à frente dos potentes e assustadores trovões. Para onde e porque sempre havia um barulho daqueles a persegui-los? Eram belos, mas traziam medo. Mas fascinava minha imaginação de criança.
Assim, a noite ia, a tempestade passava e eu adormecia. Ao levantar, antes mesmo de tomar o café da manhã, eu corria a ver o que a chuva deixara. Fitava os caminhos interessantes, desenhos feitos na areia, pela água que corria e deixava suas marcas. De longe, via que o ribeirão que servia a casa, onde eu e meu pai tomávamos banho ao entardecer, estava com suas águas caudalosas e turvas. Olhava no horizonte e percebia um sol tímido chegar.
Como na manhã de minha infância, eu também olhei, apesar do pequeno espaço do quintal, que a enxurrada deixara seus rastros. Faltou o pequeno ribeirão. Um alto muro impedia a visão de horizonte. Restara-me o caminho feito pelas águas e o canto dos pássaros, com o cheiro de terra que ali estava.
Sentindo as caricias da cadela Doth, que viera me saudar com sua alegria costumeira, me pus  a refletir. Refletir que a vida passa, o tempo passa, mas mantemos sempre no coração as coisas simples belas que tanto amamos e gostamos. Vão desde a lembrança do sorriso franco de criança pequena, do canto de pássaros a uma manhã com cheiro de terra molhada.
E o brilho do sol daquela manhã encheu de paz meu coração. Fui para a batalha diária da vida com a alma leve. E leve, como deve ser a vida. Cheia de paz e com esperanças renovadas a cada manhã. Até mesmo, em uma manhã como aquela, depois da tempestade.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

DESABRIGO





Deixa estar
À lembrança
A carícia
De teus dedos
Em meus cabelos,
Quando deitava
A cabeça em teu colo...

Deixa,
Afinal
Ainda tenho
O calor
Da tua face
Em minha face... 
A doçura de tua boca
Em minha boca,
E a lembrança
De nossas mãos
Entrelaçadas
Quando entrelaçados
Estiveram nossos corpos...

Deixa estar
Em mim
Teu sorriso,
Qual
Fugidia nuvem
Rompida e
Dourada pela
Luz do sol...

E, deixa...
Deixa
Que a saudade
Seja somente
Saudade,
Apenas uma
Parte
Do todo
Que és
Em mim...

-*-

#Deumpoetaqualquer


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ENCONTROS, DESPEDIDAS, REENCONTROS...


Foto: internet


O choro alto de um inquieto rapazinho que tentava se desvencilhar dos braços da mãe se tornou o centro das atenções de quem estava no apertado, acanhado e pouco confortável saguão de desembarque do aeroporto de Goiânia. O guri gritava, de maneira quase ininteligível entre lágrimas copiosas e sentidas, que queria o pai, que queria logo o pai e que ele estava demorando. A mãe, talvez constrangida com o show do pirralho, se afastou da multidão, levando para longe dali.
Ao vir a calmaria, fiquei a observar as pessoas que ali estavam. Alguns com semblante de felicidade, de expectativa de chegadas, de encontros, reencontros. Enquanto esperam a bagagem, alguns passageiros acenam, gerando ainda mais ansiedade nos que os aguardavam.
Eis que a porta automática se abre e pessoas começam a surgir. São momentos de emoção, abraços de chegadas, encontros, reencontros. Oposto de despedidas! Abraços fortes, beijos de carinho, alguns com lágrimas de alegria. E mãos que se encontram e se entrelaçam, se acariciam. Que mandam a saudade para longe, por novamente estarem juntas, próximas. Que se fazem emocionar com demonstrações de alegria, de carinho, ternura.
Após a chegada da pessoa que eu esperava, conversamos sobre esses encontros, despedidas. E refletimos sobre a vida. Algumas despedidas soam como definitivas, doem. Mas podem ser apenas um até breve. Algumas vezes a vida traz isso, e penso que são etapas que se cumprem. Necessariamente se cumprem.
Com essas idas a casa fica maior e bem vazia. E o coração da gente parece ficar “faltando um pedaço”. A saudade aperta mais ainda quando se olha para um quarto que agora não está mais ocupado, onde outrora era lugar sagrado, sacrossanto, um santuário particular, onde somente a dona, qual sacerdotisa daquele templo, tinha acesso livre e irrestrito.
Aos poucos, o lugar se torna apenas mais um cômodo da casa. Os preciosos tesouros que restaram, recordações em pequenos objetos, são levados lentamente e o vazio vez ou outra é notado, sentido, lembrado.
A contrapartida é que, claramente as etapas da vida vão se cumprindo. É a sequencia da vida, o ciclo perfeito da existência. E logo frutificam, com a realização de sonhos, com a chegada de novas gerações. Que trazem encanto e alegria, suprindo e deixando esquecidas algumas saudades.
E esse vazio perde sentido quando sons de crianças ecoam pela casa, ou até mesmo quando nota-se um choro como o menino no saguão de um aeroporto. É a alegria que retorna, explicitada em forma de sorrisos de criança.
E, como diz a canção, a hora de partida também pode ser hora de chegada. “O trem que chega, é o mesmo trem da partida...”.




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

POR GUIA, AS ESTRELAS...




Os dias extremamente quentes e secos são compensados pelo colorido de minha cidade. A primavera chegou e encontrou as ruas e avenidas floridas, belas, onde há ipês de variadas cores, o dourado das sibipirunas, o perfume das acácias, e tantas outras encantadoras espécies.
Nos quintais, as mangueiras com galhos baixos e carregados de frutos mostram que a criançada irá novamente se fartar esse ano. E a goiabeira, ainda que tardiamente, mostrou qual brancas grinaldas, as flores que em breve tornar-se-ão frutos, doces, vermelhos e saborosos. Talvez a florada das goiabas tenha atrasado, pela generosa safra temporã que acabou há pouco, quando as maritacas e periquitos a cada barulhenta aparição, fizeram a festa.
No alto das arvores os ninhos ocupados trazem a certeza que a vida se renova. A natureza agasalha pequenos ovos, que logo haverão de eclodir trazendo novos e belos pássaros para encantar nosso universo.
A noite chega, mas o calor do dia continua. Embora mais amena, a temperatura impede de ficar dentro de casa. Ideal buscar a companhia das estrelas, em confortável e amiga cadeira de fios, perto da jabuticabeira, que em sua primeira safra, depois de tanto tempo, começa a mostrar as flores se transformando em frutos.
E ali me deixo ficar, na noite quente, com o inseparável rádio que traz canções, e estrelas distantes como companhia.
Aliás, as estrelas parecem querer fazer uma festa particular. O céu vai ficando cada vez mais intenso e, apesar da claridade das luzes urbanas, é possível ver o quanto é mágico e misterioso o infinito.
O espetáculo me leva ao tempo de criança, onde observar o céu nas noites calmas da Fazenda Nova América era a diversão principal.
Como hoje, lá, tínhamos como fundo musical as canções do radio – no caso, o velho ABC – A Voz de Ouro - ou o violão plangente de meu pai, que depois do dia corrido e difícil, se punha a dedilhar canções, qual poemas, sob olhar plácido de minha mãe.
Aqui e ali a melodia é interrompida por comentários de meus irmãos ou por versos declamados por minha mãe. A harmonia era presente.
Mas o céu e a noite estrelada era o que mais me encantava. Tentava adivinhar perto de qual constelação as inquietas estrelas cadentes iam deslizar e me punha a fazer pedidos, como rezava a lenda que quem visse uma estrela cadente e fizesse um pedido, seria atendido. E eu ficava assim, até que mamãe viesse me chamar para que fôssemos todos dormir.
Já na cama, me punha a “adivinhar” o céu pelas frestas do telhado, que traziam a luz das estrelas. E sob o acalento dos sons diversos da noite, adormecia.
Hoje, em uma noite quente, sentado na cadeira acolhedora, também me vejo contemplando o céu e as estrelas como fazia quando criança. É o mesmo céu de minha infância e as mesmas estrelas. O tempo passou para mim, mas o céu continua o mesmo. Como os sonhos que acalento, e estão guardados no infinito do coração. Sonhos que nunca mudaram.
Afinal, ainda tenho por guia, as estrelas.



terça-feira, 15 de setembro de 2015

ADVENTO




Ontem,
O pôr-do-sol
Aompanhado
Por
Sinfonia de cigarras...

Hoje,
O canto solo de um sabiá,
Precedido
Por trilha sonora de
Inquietos bem-te-vis
Ao alvorecer...

Concertos
Regidos por
Suave brisa...
De
Quase primavera!

Ainda
A beleza das
Cores e
O perfume
De flores primeiras
Da jabuticabeira
Debutante...”


#Deumpoetaqualquer

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

VOLTA DA CPMF: MAIS UM IMPOSTO MALDITO





O governo federal e sua atrapalhada equipe jogam no ar mais uma ideia esdrúxula e que vem de encontro à tudo aquilo que a sociedade não aceita mais. Da mesma maneira que ventilou taxar o atendimento pelo SUS, ou aumentar alíquotas do PIS/Cofins, a ideia de recriação do famigerado imposto do cheque, ou CPMF, soa como desaforo e desrespeito a quem produz e trabalha. Um odioso tapa na cara do trabalhador que teve direitos sociais covardemente retirados, do pequeno empresário que sente a cada dia mais o fardo dos impostos, do industrial que não suporta mais produzir para o governo morder uma grande parte e da dona de casa que, a cada ida ao supermercado, se surpreende com o aumento nos preços dos produtos básicos, não obstante a retração da economia e a recessão reinante.
Pagamos o preço alto da falta de planejamento, da farra com o dinheiro publico, dos PAC’s, da copa do mundo e da futura olimpíada, das obras suspeitas de corrupção, arenas (estádios) hoje praticamente inservíveis e faraônicas, que venderam equivocadamente o sonho de país grande e moderno.
A sociedade fez um grande sacrifício para obter estabilidade da moeda, segurança e confiança na economia. Foi difícil, mas o Brasil conseguiu. O então Presidente Itamar Franco deu o start e aos poucos, fomos nos acostumando com calmaria na economia e esquecendo aos poucos do overnight, dos preços indexados e do aumento diário de tudo aquilo que precisamos.
A ideia de recriação da CPMF vem acompanhada de uma chantagem: a de que vai piorar o atendimento nos postos de saúde, vão faltar vacinas, e a população menos favorecida vai morrer por falta de atendimento médico, caso não seja aprovado o  malfadado imposto. De fato, hoje se morre no país por falta de atendimento médico nos postos de saúde e faltam vacinas. Falta até dipirona. No decorrer desta semana, os telejornais de Goiânia mostraram o desespero de mães que reivindicam que o governo cumpra seu dever e forneça leite especial para crianças que deles necessitam. Culparam a burocracia. Então, vai piorar mais ainda se não aprovar a CPMF?
A vaca está no brejo, com pneumonia dupla. Nem tosse mais, pois se tossir, cai. Afunda no brejo da incompetência administrativa, na mesma proporção que o governo quer meter mais e mais a mão pesada no dinheiro suado e honesto de quem trabalha sério e produz nesse país.
O governo, do alto de seus quarenta ministérios e toda uma estrutura viciada, faz aquilo que mais sabe fazer: gastar, gastar e gastar.
A sociedade dá mostras que não vai aceitar. Entidades de classe das mais representativas do setor produtivo mostraram que vão pressionar o congresso nacional, caso a proposta seja mesmo enviada. E somado a isso tudo, mais um grande desgaste para o hoje quase inexistente governo da Presidente Dilma Rousseff. Essa proposta pode ser um start para que teorias pró-impeachment prosperem. O que seria ainda pior para o país.





quinta-feira, 27 de agosto de 2015

DA CHUVA... DAS FLORES...





Sol inclemente, mormaço...
A brisa, rara...
Mas ainda assim
As flores dão
O ar de graça,
Trazem poesia e
Beleza, quando
Encantam ruas,
Avenidas, jardins.

Coloridas e alegres flores
De ipês, acácias, que
Convidam a brisa
Para que venha mais forte
E se preparam
Para receber a chuva,
A chuva das flores
Que trará novamente
Conforto e aconchego...

E as flores,
Juntamente com a brisa
Hão de anunciar
Que é
Quase primavera...

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#Deumpoetaqualquer

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

FLORES PARA VOCÊ




Cultivo flores
Para você.
Cultivo orquídeas,
Begônias,
Rosas,
Kalanchuês,
Lírios....

E você se surpreende
A cada manhã
Quando encontra
Novas e
Encantadoras flores.

Cultivo flores
Para você,
Porquê
Sei que gostas
E ficas feliz.
As flores
Que cultivo
Te fazem sorrir...
E teu sorriso é o que
Me encanta
A cada alvorecer...

Cultivo flores...
Como
Cultivo
Meu amor por você!

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#Deumpoetaqualquer


sábado, 1 de agosto de 2015

LUA AZUL E MANHÃS DE QUASE PRIMAVERA




O perfume que recende dos cachos de flores das mangueiras atrai uma legião de pequenas abelhas, enche a alma e o coração e me leva a momentos de saudade. Afinal, flores em mangueiras é prenúncio de primavera e traz lembranças de infância feliz.
A lua da ultima noite de julho precedeu a uma primeira manhã de agosto, manhã perfeita de céu azul, suave brisa e sol brilhante.
 Bela lua cheia, de muita luz, encantadora e inspiradora! Evoca paixões. E a manhã de luz trouxe também o canto de sabiás... Momentos de pura beleza e poesia. Juntas, cada uma ao seu tempo, lua e luz da manhã se completam. E adentram ao coração tornando-se um só poema.
E nessa beleza de manhã um bando de periquitos, maritacas ou mulatas, como queiram – pelo menos uma cinquenta – em alegre e ruidosa passagem, chegam ao quintal e tomam conta da goiabeira, que embora ainda não seja época, está cheia de goiabas temporonas, das vermelhas, doces como açúcar. As pequenas aves tomam seus lugares e fazem a festa, em um banquete delicioso, proporcionado pela mãe natureza, que sempre cuida muito bem de seus filhos.
Carmobernardianamente, observo o quanto estão felizes ao encontrar aquela árvore, que lhes proporciona lauto banquete. E acima de tudo, vejo a harmonia e o respeito mútuo que demonstram. Não se vê nenhuma ave querendo esse ou aquele quinhão a mais que a outra. Dois ou mais pássaros dividem a mesma goiaba harmônica e solidariamente.
Percebo que folhas novas surgem, em lugar das que caíram ou estão caindo, cobrindo o chão, onde as atentas formigas já as percorrem, dando sequencia ao ciclo perfeito da natureza. As folhas novas, logo terão a companhia das flores brancas, que rapidamente, pelo milagre da vida e da força da continuidade da especie, transformar-se-ão em pequenos bulbos, que resistirão e chegarão à frutos maduros, doces saborosos... O ciclo perfeito da vida.
Evoco a sabedoria ancestral de meu saudoso pai, que afirmava que no ano de fartura nos quintais é certeza que haverá boa colheita. Que isso se confirme, afinal, passamos por momentos difíceis na economia e na politica.
Fico a esperar que chegue a primavera, com muitas flores, frutos, pássaros em seus ninhos cuidando dos filhotes, e pingos de chuva.
Nessa manhã de belezas, em conversa leve e agradável com amigos, discutimos se não somos muito adeptos e dependentes da tecnologia. Concluo que utilizamos forte e intensamente a tecnologia, porém nunca deixamos de perceber a poesia de uma noite de lua com acordes de plangente violão e sorrisos de encanto.
Quase primavera. Etapas da vida vão se cumprindo. Vida que chega e se renova. Tempo de céu azul e ventos fartos, onde crianças soltam pipas e as noites são amenas. Tempo de belas manhãs...
Com canto de sabiás, algazarra de periquitos na goiabeira, a certeza que logo um sem número de flores haverá de vir embelezar jardins, quintais, avenidas da cidade, e assim encantar a vida! Afinal, é quase primavera! E um novo poema e uma nova canção se fazem presentes!



terça-feira, 7 de julho de 2015

SENDAS




Percorro as veredas
Do coração...
Vejo sorrisos,
Alegria,
Doces momentos,
manhãs de luz...

Vejo também
Pedras,
Ladeiras íngremes,
Áridos paredões...
Superados
E 
Vencidos!

Nessas trilhas,
Em momentos
Ainda que difíceis,
Ainda que entre
Pedras,
Ladeiras íngremes,
Áridos paredões,
Houve
Brilho de olhar,
Suaves sussurros,
E doçura
De sorrisos
Redivivos,
Em noites
De lua cheia...


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sábado, 20 de junho de 2015

POEMA DA ROSA ESQUECIDA






Quase não a percebi...
Mas em uma manhã de luz
Estava no jardim
Para encantar a vida.

Absorto,
Não saudei sua presença,
Não fiz poema,
Fotografia,
Sequer uma frase,
Um fonema,
Ou Aldravia...

Apesar disso,
Com a beleza
E suavidade
Que só as rosas possuem,
Fizeste-me feliz...
Muito feliz!

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#Deumpoetaqualquer

sexta-feira, 19 de junho de 2015

PROCURA





Ao despedir da madrugada,
Busco no
primeiro fulgir a 
Luz do teu sorriso,
E embora se prenuncie
Bela e iluminada manhã,
Não o encontro.

Busco a leveza
De um olhar teu
No firmamento,
Na lua
Em quadra minguante,
E não o encontro...

Tenho noticias vagas de ti
Através da brisa
Que terna e suavemente
Acaricia-me a face,
Na companhia de sinfonias
Trazidas por violinos:
Estás distante,
Preparando o coração
Para os amanhãs que virão...

Digo à brisa
Que
Esses amanhãs
Tornam-se ontens,
Tal a frequência com que
Esconde-se neles...

E o amor
Somente sobrevive
Se pleno e
Intenso for
O presente...
Afinal
Ontens
E amanhãs
Ou já se foram
Ou podem
Nunca chegar...

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#Deumpoetaqualquer


sexta-feira, 12 de junho de 2015

PRIMAVERAS






Primeiro dia
Do ano cinquenta...
49 completas
Primaveras...

Os sinais do tempo
Refletidos
Em poucas
E brancas cãs...

Ainda que
Distante
Dos arroubos da
Juventude
Os sonhos
Permanecem...

O coração,
Ah, o coração
Jovem,
Pleno de
Inquietude,
Bate forte,
Intensamente
Igual ao
“...de um rapaz novo, encantado
Com vinte anos, de amor...”


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#Deumpoetaqualquer