quinta-feira, 21 de maio de 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
DOS CÂNTICOS DA MINHA VIDA, DA NECESSÁRIA PAZ NO MUNDO
O ambiente na singela e acolhedora casa na
Fazenda Nova América, onde passei minha primeira infância, era altamente
poético e musical. Meu pai, depois de um dia de trabalho árduo na roça, onde
cultivava abacaxis, arroz, feijão e outras culturas, necessárias à
sobrevivência, vinha o costume de, ao chegar em casa, procurar à minha mãe se
estava tudo bem, se alguém da casa da minha avó, que morava perto, viera nos
visitar, assuntos triviais, mas que simbolizavam a alegria de partilharem o dia
a dia um com o outro.
Nesses momentos, enquanto meu pai “esfriava
o corpo” do calor, eu ficava por ali pertinho, escutando, e esperando que ele
me chamasse para o melhor momento do dia: ir tomar banho no pequeno riacho que
ficava bem próximo á nossa casa.
Aliás, o riacho era um lugar maravilhoso, cujo
acesso de dava por um grande lajedo na margem “de cá”, do
lado que ficava a nossa casa. Na outra margem, imensas e centenárias mangueiras
davam sombra e aconchego a inúmeras espécies de pássaros, até as temidas e
ditas agourentas, porém inofensivas “Alma de Gato”, que com seu canto mavioso,
enchiam as crianças de temor.
Pouco acima, uma pinguela – um tronco de
madeira forte e seca, que atravessava o riacho de um lado a outro, em uma
altura tal, que quando viessem as enchentes, não fosse levada. E interessante:
a pinguela não tinha nada parecido com um corrimão, mas adultos e cachorros passavam por ela,
tranquila e calmamente.
Depois do reconfortante banho para meu pai
– e super divertido para mim – era hora de jantar. Reunidos na pequena e rústica
mesa, após a oração, a conversa animada surgia e se estendia para mais um pouco,
quando meu pai buscava, ou “alguém trazia” o violão e ele tirava seus dobrados
e valsas nas cordas cansadas do velho instrumento.
Quase sempre, mamãe atendia aos pedidos de
recitar versos marcantes, como os do “Pavão Misterioso” ou outros de famosos cordéis
da época.
O tempo passou. A fazenda se fez saudade,
quando mudamos para a cidade. Era hora de, aos sete anos, enfrentar realidades
que até então desconhecia. Pouco tempo depois, aos nove anos, fui estudar como
aluno do internato do distante Ginásio Anchieta, na histórica e então bucólica
Silvânia, outrora, Bomfim de Goyaz. Ali, eu não era mais o Paulinho, o caçula
da família, mas apenas mais um dentre 130 alunos, entre adolescentes e jovens adultos.
Da minha idade, éramos apenas três.
Quando da festa de Nossa Senhora Auxiliadora,
a turma ia toda para o colégio das freiras Salesianas, e alguns escolhidos,
dentre eles eu, ensaiados pela gentil e simpática irmã Terezinha, Soltavam a
voz. Ainda lembro de canções, cuja letra traziam: “Sobe à Jerusalém, Virgem
Oferente, sem igual...”.
Por ocasião da Semana Santa, a cidade de reunia
na Igreja do Rosário, a Matriz, e em suas proximidades, seguindo a procissão.
Era quando ecoava pelas ruas a inesquecível e vibrante voz do querido “Tio Zé
Luiz” (Gonçalves dos Santos), que puxava a enorme fila da procissão entoando,
dentre outros, um canto que nunca esqueci: “Pecador, agora é tempo, de
contrição e de temor, serve a Deus, despreza o mundo, já não sejas pecador...”.
De volta à casa paterna, chegava o tempo
de Natal eu me encantava com as canções. E na véspera, na tradicional Missa de Natal
celebrada na Matriz da querida e distante São Miguel, ainda hoje me vem à
lembrança o marcante: Glória, Glória, In Excelxis Deo...”, magistralmente
interpretado pelo Coral da igreja.
Vez por outra, “passeio” por estes cânticos de minha vida,
usando a facilidade que a tecnologia nos traz, onde basta pedir à IA que toque
aquilo que quero ouvir.
E entre reminiscências da Fazenda Nova América,
a saudade de meus pais e outros tantos cânticos que me acompanham pela vida, vejo
o tanto que a vida seguiu com pressa.
E, reflito que, ao mesmo tempo em que a
tecnologia evoluiu a ponto de pedirmos qualquer música a uma pequena esfera,
alguns ditos homens que se intitulam “senhores da guerra, do ódio e do mundo”
prescindem da paz e da boa convivência entre os povos. Paz, que tantas vezes
encontrei em momentos de singela harmonia familiar
e em cânticos, de louvor.
E, que a paz e o bem, ainda que difíceis,
possam permanecer entre nós.
domingo, 29 de março de 2026
HOJE, ACORDEI COM VONTADE DE OUVIR BELCHIOR...
Neste sábado, meu despertar foi às
primeiras luzes da manhã, manhã de outono, que se apresentaria radiosa,
brilhante e com ares de felicidade. Bela manhã!
No mais, tudo se desenhava para ser um
sábado comum. Ainda na cama, após minhas orações, um breve momento de reflexão
sobre como seria o meu dia: o que faria, se estava tudo preparado para a
reunião de trabalho com uma nova cliente, marcada para as dez horas, a
sequência dos novos livros a serem publicados. E essas reflexões me
acompanharam ao fazer meu café – forte e com pouco açúcar – e ao esperar o pão
de queijo assar, ver o dia chegar, com pássaros se apresentando com a beleza de
seu canto, o incansável João de Barro já na lida, ciscando e em busca de
material para seu trabalho. Tudo isso, com o amigo e companheiro rádio, que trazia
canções antigas, que lembravam os tempos da querida e saudosa Fazenda Nova
América, de muitos anos passados.
Café tomado, hora de me debruçar diante do
velho e incansável Dell 1510, que outra vez parece querer me avisar que precisa
de um novo teclado.
Quase não percebo o passar das horas, que
passam, passam, enquanto os textos vêm, fluem, surgem no branco do Word, em
incansável e infindo compor de palavras, em orações, períodos, parágrafos,
capítulos.
Hora da reunião, muito agradável,
harmônica, e incluiu a degustação de um saboroso quibe, com suco natural de
limão.
Na volta para casa, um bate-papo com o motorista de aplicativo, e no rádio, música de Belchior - ...eu sou
apenas um rapaz, latino-americano... – que começava sua carreira no segmento, e
elencava as vantagens que teria ao trabalhar para si mesmo. Desejei boa sorte e
que ele alcançasse o sucesso tão almejado, pensando nas frases da canção do
dândi cearense.
Ao abrir o portão, a alegria da Cacau pela
minha volta, como sempre faz: correndo pelo quintal e pulando em mim, à espera
do carinho e certamente, de um pedaço de pão, ou bolacha.
O dia transcorreu como começou: dia ensolarado,
e a tarde trouxe, depois de um período de chuvas diárias, trouxe um belo pôr do
sol, seguido do anoitecer que ampliou a beleza do infinito com a lua em fase
crescente.
Inspirado, ler um pouco, tomar uma
cerveja, e esperar o socorro do amigo sono.
E hoje, Domingo de Ramos, em manhã tão
bela como a do sábado, me permiti ficar na cama um pouco mais, e ao levantar, a
manhã já estava plena, luminosa, esplendorosa, de beleza ímpar.
Momento de fazer o café – forte, com pouco açúcar – e pedir à Alexa canções. Canções de Belchior. De puro lirismo e poesia!
@paulorolimescritor
domingo, 1 de março de 2026
MARÇO, MANHÃS, E OS SENHORES DA GUERRA
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| Imagem: Hosny Salah, por Pixabay. |
Março começa sob belas e amenas manhãs, inundadas de claridade e de uma suave sensação de conforto. Às vezes, estas manhãs vêm com chuva fininha, calma e constante, daquelas que realmente molham a terra, penetram o chão e despertam o cheiro antigo da vida. Aqui e ali, roseiras exibem suas flores como quem inaugura o mês, enquanto as samambaias da varanda ostentam seu verde único, ora iluminadas pela luz do sol, ora acariciadas pelos pingos delicados da chuva.
Desde as primeiras luzes do alvorecer, pássaros irrequietos cruzam o céu e se unem numa bela e afinada orquestra espontânea, a anunciarem que mais um dia chegou.
Mas março mal desponta e os senhores da guerra, insatisfeitos com morticínios recentes, reiniciam seus jogos violentos, como se empunhassem controles invisíveis de videogame. A diferença brutal é que nestes jogos não há ficção: é vida real. E nela há morte, destruição, terror, futuros aniquilados.
A diplomacia, que no chamado pós-guerra — depois de 1945 — e durante a “Guerra Fria” dos anos 1960 e 1970 foi essencial e determinante para impedir uma hecatombe nuclear, parece hoje reduzida a reuniões de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Ali se veem senhores de cabelos brancos, talvez bem-intencionados, cumprindo ritos solenes que incluem os inevitáveis fones de ouvido para traduzir as muitas línguas do mundo. Contudo, diante dos senhores da guerra, restam-lhes notas, recomendações, declarações formais. Nada que detenha bombas. Nada que suspenda massacres. Parece que a diplomacia também perdeu sua própria batalha.
Justifica-se tudo em nome da liberdade: libertar povos subjugados por ditaduras sanguinárias, regimes que sufocam o pensamento e instrumentalizam a religião como suporte para o terror. A promessa é nobre: permitir que homens e mulheres sejam simplesmente livres para pensar, agir, criar, professar sua arte, afirmar sua individualidade.
Entretanto, no videogame mortal dos senhores da guerra, as chamadas bombas “inteligentes” revelam uma estupidez atroz. Incapazes de distinguir alvos de inocentes, espalham morte sobre crianças, adultos e idosos com a mesma indiferença mecânica. O importante é vencer a fase, conquistar território, exibir estatísticas. Depois, reinicia-se o jogo, enquanto analistas sérios e compenetrados comentam a tragédia em meio a um fluxo incessante de imagens através dos veículos de comunicação.
Não recordo onde li ou ouvi, mas há quem afirme que a guerra pode e deve ser instrumento para alcançar a paz. Paradoxal afirmação, por vezes defendida como realista. Mas penso que nenhuma paz autêntica pode nascer da morte de inocentes, sobretudo quando entre eles há crianças que mal começaram a aprender o significado da palavra futuro.
Triste é saber que a carnificina continuará. A história sugere que povos que anseiam por liberdade frequentemente apenas trocam as mãos que os oprimem: saem de uma ditadura para entrar noutra.
E a liberdade, em sua plenitude, permanece distante — quase inalcançável.
Enquanto isso, março segue amanhecendo.
E os pássaros, inocentes e indiferentes, continuam cantando.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
sábado, 27 de dezembro de 2025
DEZEMBRO 25 E O 26 QUE SE AVIZINHA
Chega mais um dezembro, e não publiquei um “novo” livro, que no meu entendimento, deveria fazer companhia ao solitário “primeiro livro”, cujo poético nome é “Em noites de Seresta e Poesia”,
publicado em 2019 pela Editora Kelps.
É fato que tenho material escrito suficiente para até mais de um livro, sem contar que tá prontinho um exclusivo
de poemas – Travessia – parado no tempo e nos escaninhos eletrônicos no
meu notebook. Talvez, Travessia tenha “ficado”, pelo tom, em alguns momentos,
confessional. Mas, tá quase no prelo.
Com o final de 25, como diziam os antigos,
posso dizer que nem tudo o que planejei, consegui executar, por
força de circunstâncias, mas é certo que estes projetos serão conclusos, bem
rapidamente.
Nos últimos tempos, comecei a sentir falta
de publicar rotineiramente, como fazia nos tempos do Universitária em Seresta, com o
saudoso amigo e irmão João Sobreira, onde as crônicas eram semanais, e entremeadas
por poemas. São inúmeras as razões que posso buscar para “deixar” de publicar
com frequência, mas creio que, pelo estilo que gosto e consigo fazer melhor – a crônica poética ou descritiva - tem faltado sim inspiração. E
quanto aos poemas, talvez precise ouvir melhor a voz do coração, pois é de lá que emanam sentimentos que se traduzem em
palavras, e juntas, se tornam poemas.
E falar
em coração, encontrar um pouco mais de tempo para boas partidas de futebol, ping-pong, rodadas
de palito – sim, palito – e cantar “umas modas” com os pequenos Daniel e Gabriel,
tendo por perto o papai Bruno, a mamãe Thais e a Tia Alline.
Estar ao lado de pessoas queridas que em diversos momentos, estiveram presentes neste 25. E ainda, ter a oportunidade e o privilégio de rever velhos
e bons amigos!
25 foi um ano em que agreguei novos produtos
ao portfólio como E-books, Áudio-books, e etc. que se transformaram em trabalho e
sobrevivência.
Algo me preocupa para 26: será um ano de intensas disputas eleitorais e a política se tornou, na maioria das vezes, uma verdadeira "briga de foice no escuro". Utopicamente, espero que as pessoas
sejam mais tolerantes e benevolentes com o pensar dos outros. Ninguém é obrigado
a pensar igual, diferenças de pensamento político devem se pautar pelo respeito, e quem sabe, terminar com um bom café, ou mesmo em um
bar, diante de um copo de cerveja bem gelada e animada conversa. Nada justifica que, em nome de políticos que
em sua maioria sequer sabem quem está no andar de baixo, se percam
amizades, relacionamentos, ou mesmo oportunidades para bons e divertidos encontros. Depende unicamente de cada um.
E que os senhores da guerra, com seu
cinismo e falta de humanidade possam ser contidos, afinal, nunca vão para
o front, se escondem sob o guarda-chuva de sua enorme e eficiente segurança. São covardes. E para eles, a vida humana – dos outros – pouco ou nada importa. Importa é o
poder. Aliás, são obcecados pelo poder. Político e financeiro.
No mais, é agradecer por tudo o que
aconteceu em 25, e que 26 chegue bem, mantendo o que foi conquistado e permitindo
que as oportunidades para o trabalho se ampliem para novos e profícuos horizontes.
Portanto, para 26, que a harmonia, a paz e
o amor se façam presentes em nossas vidas e na vida de quem tanto amamos e
queremos bem!







