domingo, 8 de maio de 2016

DIA DAS MÃES: AMOR E SAUDADE




Eu me recordo de maneira muito viva, como gostava de, ao finalzinho do dia, quando minha mãe se punha a pentear seus longos cabelos, de chegar em seu colo e abraça-la. Era certeza de receber carinho e muitos beijos de amor, seguidos de palavras doces e de ternura. Mamãe interrompia aquele que talvez, no dia, fosse seu único momento de descanso.
A lida na fazenda começava muito cedo, antes do raiar do dia, quando todos iniciavam
sua rotina dura e estafante. E quando eu levantava, ainda sonolento, recebia de minha mãe um bom dia, cheio de alegria, e o sorriso emoldurado por seu rosto suave, vinha seguido de um “Deus te faça feliz”, dando-me sua bênção. E como todos os meninos da minha idade, ia calma e lentamente tomar meu café com leite, em uma xícara grande de esmalte, acompanhado de frutas da época, como mamão e melão, com o rotineiro e tradicional cuscuz.
O tempo passou – e passou tão rapidamente – mas as lembranças do carinho e da doçura de minha mãe estão muito vivas em minha memoria, em meu coração. Hoje, com quase meio século de vida, lembro os momentos vividos com ela, e agora, volto minha atenção às mamães que me cercam. Atenção à esposa, mãe de minhas filhas, à filha, que é mãe do meu neto, que conforme o tempo passa e as etapas se cumprem, vai completando o ciclo venturoso e interminável da vida.
É maravilhoso ver a descoberta do “ser mãe”. Vivi isso quando fui pai, quando minha primeira filha nasceu e hoje, revivo tudo isso ao ver o carinho que é devotado ao pequeno Gabriel, que veio para encantar e trazer alegria a todos nós.
Nesse dia das mães, quero celebrar. Celebrar à mãe que tive, às mães que convivo e às mães anônimas e lutadoras, que defendem seus filhos com unhas, dentes e coragem. Mães que não hesitam em buscar novos rumos, ainda que perigosamente, em busca de uma vida melhor, um país melhor, ainda que distante da terra natal. Mães que dão a vida para que seus filhos tenham saúde, formação e acima de tudo se tornem homens e mulheres honrados.
Nesse dia das mães faça diferente: olhe para o lado e veja as mães que estão perto de você. Lembre-se de dirigir um sorriso e cumprimentar a moça do caixa do supermercado, a que abastece seu carro no posto de combustíveis, a moça humilde que entrega panfletos nas esquinas e as que em tantos lugares do seu dia a dia fazem tudo por um mundo melhor.
Se puder oferecer um presente à sua mãe, faça isso! Claro que ela vai gostar, vai se sentir lembrada e ficará agradecida. Se não puder, dê um abraço apertado, demorado e acima de tudo, demonstre seu amor por ela.
Parabéns à todas as mamães. Mas, sempre lembrando que, dia das mães, são todos os dias.





sábado, 16 de abril de 2016

DE PRIMEIROS PASSOS, HARMONIA E FELICIDADE





Do alto do oitavo andar, no apartamento onde mora o pequeno Gabriel, eu observo uma pracinha, que fica em frente ao muro lateral do prédio.  Uma pracinha muito agradável, com canteiros de grama verde, e moitas de arbustos cobertos de flores, muito parecida com aquelas das cidades do interior, de tempos idos. Pensei: ali só falta uma fonte luminosa e o tradicional carrinho de pipocas.
Apesar do transito e do barulho intenso na avenida que passa em frente, percebo que aos poucos vão chegando pessoas, famílias com crianças e seus cãezinhos de estimação. Naquele finzinho de tarde de domingo – belíssima por sinal - fazia um calor intenso e ir até um local aprazível como aquela praça, sem duvida alguma constituía um agradável programa.
Enquanto a tarde caía deixei-me levar pela beleza da paisagem no horizonte, o verde e de certa forma misterioso Vale do Rio Meia Ponte, nas imediações do Clube Jaó. Aquele seria um lugar belo, mas a poluição do rio e a especulação imobiliária afastaram as pessoas dali. Resta a contemplação de um verde forte e belo, cortado por voos de pássaros irrequietos e raios de sol vindos do poente, a iluminar a copa das arvores em um belo e majestoso espetáculo da mãe-natureza.
Voltando a atenção à pequena praça, noto que o carrinho de pipocas não veio, mas aportou por ali um rapaz e um menino, já grandinho, com cerca de dez anos e começam a montar um brinquedo chamado pula-pula. Apesar de não ser pequeno, o pula-pula era fácil montar, pois se encaixavam as peças e em pouco tempo ficou pronto. Foi o bastante para o rapazola passar a se divertir fazendo acrobacias, como a não estar nem aí para o mundo, para as preocupações cotidianas da vida.
No cantinho da praça, em um pequeno banco um casal parecia viver intensamente aquela tarde.  Aparentemente em silencio, de mãos dadas e alternando suaves caricias um no outro, pareciam não ver o tempo passar, deixando a tarde calmamente acontecer, sem pressa.
Notei que chegaram dois casais, um deles acompanhado de uma linda menina de vestidinho rosa, cabelinhos pretos amarrados com maria-chiquinhas. O outro casal, muito jovem trazia um bebê nos braços. Começaram a travar animada conversa e a pequena menina, de vestidinho rosa e cabelos pretinhos pôs-se a ir de um lado para outro. Com passos trôpegos, ora ia em um arbusto e mexia nas flores, ora ia para o lado do pula-pula, ou ainda se punha a  acariciar um cachorrinho manso,  que passava por ali conduzido por sua dona. Entre um passeio e outro intercalava pequenas quedas, porém não se deixava vencer, levantava e imediatamente se punha na direção que o nariz apontava em busca do reconhecer o mais rapidamente possível aquele mundo que se apresentava a ela. Me pareceu que ela descobrira há muito pouco tempo a maravilha de andar e estava adorando isso tudo. Fazia uma grande festa a alegrava a todos que ali estavam.
A tarde se foi e nos primeiros momentos da noite o chorinho suave do menino Gabriel me trouxe de volta de minhas observações. Sorri feliz ao saber que logo, daqui a poucos meses, o adorado Gabriel estará ali naquela pracinha, fugindo juntamente com os pais do calor, a dar seus primeiros passos. Como a menininha de cabelos pretinhos, a descobrir aquele mundo que se apresentará a ele, de paz, de crianças felizes em uma tarde de harmonia, com alegria e felicidade. E quem sabe assim que cansar, procurar o colo aconchegante e seguro de seu papai ou de sua mamãe.
A visão de tudo que aconteceu naquela pracinha, em uma tarde quente e bela encheu meu coração de alegria. Alegria de constatar que, apesar de todas as mazelas do mundo, ainda existem pracinhas onde uma criança pode livremente dar seus primeiros passos, com inocente e incontida alegria ao lado de pais e amigos.
São as coisas boas da vida. Que dessa forma, é muito, mas muito boa, de viver!

 


sexta-feira, 1 de abril de 2016

OUTONOS




O Outono chegou e imediatamente cessaram as chuvas. O calor intenso tomou conta de nossos dias e, aos primeiros raios de luz se faz presente, permanecendo por todo o dia.
É interessante a força da mãe natureza e o que ocorre quando vêm as mudanças de estação: no fim do verão, os dias começavam quentes e normalmente terminavam em chuva , na maioria das vezes, fortes tempestades. Depois, rapidamente acabava o frescor trazido pela chuva e o tempo quente voltava. E assim que chegou o outono, as chuvas cessaram.
A sabedoria dos antigos reza que nesse principio de outono devem ainda vir algumas chuvas, porém poucas e distantes uma da outra. As aguas de março definitivamente fecharam o verão e o outono é certeza de renovação da vida, de sequencia de ciclos que se cumprem.
A chegada do mês de abril mostra que mais de noventa dias do ano já se passaram. O ano, como a vida, passa tão rapidamente, e imersos em rotinas, sequer percebemos. Mas o tempo, implacável segue seu ritmo... Inabalável.
O desconforto desses dias de calor não pode nos fazer esquecer o que de bom recebemos nas estações anteriores. Não faz muito tempo, a alegria da primavera chegou com manhãs de muita luz e beleza, trazendo flores que embelezaram nossos das e aos poucos foram se transformando em frutos que trouxeram alegria, mesa farta e certezas.
Em seguida, o verão veio com calor e chuva, que traz fertilidade e a mais absoluta certeza que a vida sempre se renova. Em dias longos e de muita luz poder viver a alegria de encontros e reencontros, de passeios, de praia, de mar, de sorrisos francos.
E por Falar em estações, dentro de poucos meses completarei cinquenta primaveras. Mas, apesar do quase meio século de vida, trago comigo os ideais da juventude, com a certeza que ainda há muito por fazer, muitos sonhos por realizar. Esse número de anos vividos não significa começo do fim, mas a certeza que as experiências adquiridas nortearão meus passos e minhas decisões e os sonhos, que nunca deixaram de existir continuarão a ser buscados. Buscados com a força “de um rapaz novo encantado, com vinte anos de amor”. A juventude e a busca por meus ideais sempre estará dentro de mim, do meu ser.
Continuarei a ver e sentir a poesia, cada vez que ouvir uma canção que toca, ou sempre que mirar o céu, com estrelas, em noite de luar. Hei de me encantar com cada madrugada que, com luz e beleza traz a certeza de que merecemos a dádiva de mais um dia.
E com poesia, alegria e muita força, esperar o dia em que haverei de caminhar de mãos dadas com o pequeno Gabriel, em tardes de sol, no outono, ou em manhãs de primavera, cheia de belezas.
Nas sequencias da vida, após o outono, virá o inverno, que passará e dará lugar à primavera. À esperada primavera das flores. Afinal, a vida se renova. A cada estação!



quinta-feira, 17 de março de 2016

MENINO GABRIEL




Do Poeta João Sobreira Rocha para o Anjo Gabriel


E tu vieste, menino Gabriel
Envolto numa ramagem de flores do campo
Salpicadas pelo orvalho da madrugada
E com um perfume orquestrado de beijos e afagos muitos.....

- Vovô e vovó
Estavam ali nos corredores da maternidade,
Encantados
E deslumbradamente inquietos para acariciá-lo
Na espera longa do primeiro neto,
O anjo Gabriel !

Tua chegada há de mudar as rotas,
Modificar percursos,
Idas e vindas
No colorido das manhãs e no silêncio doce das madrugadas....

E um gosto sublime de mel e chocolate,
Aventuras de um guri,
Se espalharão pelo quarto, brinquedos, mimos e agrados
Para recepcionar o Anjo Gabriel
Com seus olhinhos vivos,
E um leve sorriso meigo
Espargindo alegria e felicidades
À mamãe Thais e
Ao  papai Bruno!

-*-



Titio João Sobreira Rocha


CANÇÃO DE AMOR PARA GABRIEL




Gabriel resolveu dar o ar da sua graça em uma noite de verão, quase outono. Apressado, adiantou em alguns dias sua chegada, que estava prevista mais para o final do mês. Depois de avisar que queria vir, seus pais Bruno e Thais foram ao hospital e receberam a informação e confirmação do médico, Dr. João Batista Alencastro, que ele chegaria ainda naquela noite.
Quando o meu telefone tocou e veio a noticia, corremos para a maternidade e foi aquela espera, que de certa forma, era motivo de muita ansiedade.
Enquanto esperava, voltei no tempo, e me vi também em uma maternidade, enquanto esperava a chegada de minhas meninas. A mãe do Gabriel, Thais, chegou também em uma noite como essa, há quase trinta anos. Alline, a tia-coruja, preferiu chegar em manhã de sábado, bela e ensolarada.
A ansiedade da espera do menino Gabriel foi a mesma de anos atrás. Andando pra lá e para cá, sem muito assunto, apenas preocupado e rezando, pedindo a Deus que ele viesse com saúde.
Eis que surge uma enfermeira trazendo cuidadosamente para o berçário o pequeno anjo. Momento de expectativa e emoção incontida, de certeza que finalmente estava entre nós o tão sonhado e esperado menino Gabriel.
Enquanto a enfermeira tomava as providencias pós-nascimento, Bruno, o feliz e orgulhoso pai do Gabriel chega trazendo noticias da mãe, dizendo que está bem e apenas finalizando os procedimentos inerentes ao parto.
Logo, ele vem para o berçário e podemos, e ainda que isolados por um vidro, chegar bem perto e contemplá-lo. E ele a nos fitar com olhinhos negros e brilhantes, como a perguntar quem somos e o que fazemos ali. Olhos brilhantes, vivos, que passeiam de um lado para outro, como que reconhecendo o ambiente em que acabara de chegar.
 Assim, olhando naqueles olhos, me vejo pensando no futuro com Gabriel. Não há duvida que ouviremos canções, que nos emocionaremos com a perfeição das melodias dos Beatles, nos encantaremos com poemas de Vinicius e Pessoa, ouviremos  rock progressivo e pesado e iremos ao estádio ver os jogos do Vila Nova.
Ah, haveremos também de nos permitir que, em madrugada, quase dia sentir a emoção de ver quando a noite se vai e o dia se apresenta, com a madrugada dizendo adeus e ao longe, no infinito, sinais do dia, que aos poucos irá se tornar pequenos feixes de luz até que gradativamente o sol, pleno e imponente, venha tomar conta. Sonhos e devaneios de avô.
Enquanto esse tempo não chega, será como hoje, em que durante todo o dia, seja no trabalho, no trânsito ou onde que estivesse, fiquei a recordar a doçura e a ternura que vieram daqueles olhinhos negros e brilhantes.
Que sua vida seja abençoada e muito feliz. Que seja muito bem vindo, amado e querido Gabriel. Hei de tê-lo sempre dentro do coração. E entre momentos de emoção e alegria, compor uma canção de amor. Uma canção de amor para Gabriel.


sexta-feira, 11 de março de 2016

MANHÃS DE LUZ, EM TEMPO DE COLHEITAS




Março veio em uma belíssima manhã de muito sol, luz e à medida que o dia ia avançando, muito calor. O mês de Março trouxe a certeza que os ciclos da vida estão em sua plenitude. Março vem com a expectativa que o verão confirme as sementes que a primavera ofereceu ao mundo, à humanidade e assim, a vida e suas sequencias naturalmente aconteçam.
O calor intenso que ocorre nesses primeiros meses do ano é também prenuncio de chuva, mas significa também fertilidade, que resultará em tulha cheia, fartura e a certeza que a vida continua em sintonia com aquilo que necessitamos. E que apesar de tudo o que sofre a mãe natureza, ela, com sua generosidade, faz com que a vida continue a se renovar.
As aguas de março fecham o verão, que talvez receba ainda águas em abril. Por todo lado, as flores típicas da época, quaresmeiras e ipês, embelezam a cidade e os campos, em uma quase primavera. Flores que com tantas cores diversas trazem alegria, harmonia e quietude.
Em uma dessas tardes quentes e de nuvens pesadas ao longe, ao chegar em casa me deparo com uma enorme quantidade de roupinhas de bebê estendidas na varanda, para secar. Não teve como não ficar emocionado e feliz.
Fiquei por alguns instantes observando as varias estampas e desenhos daquelas pequenas peças de roupas e tomado pela emoção, embora contido, demoradamente deixei com que as imagens adentrassem meu coração e enlevado, fiquei sorrindo de alegria.
Lavar, secar e passar essas roupinhas é um dos últimos atos antes da chegada de um anjo, que vem para dar alegria à nossas vidas. O anjo Gabriel vem por aí. Não sei se em Março ou nos primeiros dias de Abril.
Gabriel virá como uma manhã de verão, irradiando luz e ternura e como a chuva e as flores, trará alegria, felicidade, harmonia.
Por alguns dias, as roupinhas que esperam Gabriel estiveram presentes em minha casa. Inicialmente, foram retiradas as etiquetas e as embalagens. Depois foram para a máquina de lavar – algumas foram cuidadosamente lavadas à mão. Depois de limpas, estendidas no varal e finalmente secas, foram passadas com cuidado e carinho, uma a uma.
Até que um dia desses, foram levadas e entregues, para que seus pais pudessem arrumar o pequeno guarda-roupa, onde já haviam sapatinhos e alguns brinquedos. A beleza da imagem cheia de pureza e harmonia do pequeno quarto que o aguarda, estará para sempre em mim, dentro do coração.
Começo a contar dias, até horas, ansioso para que chegue logo o momento em que Gabriel haverá de vir. Como as sementes que foram lançadas na primavera, agora será tempo de colheita. Colheita de amor, de muito amor. Amor por Gabriel.


quinta-feira, 3 de março de 2016

O MELHOR LUGAR DO MUNDO E O FIM DA FONTE LUMINOSA DA PRAÇA DO CRUZEIRO






Na parede da sala de minha casa tem um pequeno quadro. Pequeno, humilde, singelo, mas com uma paisagem e uma mensagem fantástica. Sua moldura, já marcada pelo tempo, tem uma cor bege, meio de empoeirado, meio de muito tempo.
É uma pintura feita à mão, com três palmeiras em destaque à frente, uma estradinha em perspectiva que vai até uma pequena casa de taipa, coberta de palha, um lago do lado com um barquinho distante e um belo pôr-do-sol, com nuances de amarelo vivo e vermelho-alaranjado. É uma palhoça simples, mas dá a impressão de um lugar de pessoas felizes.
Traz o ano e as iniciais de quem pintou o pequeno quadro. O ano: 1972 e as iniciais: I. C.G., de Irmã Cirene Garcia, uma religiosa salesiana, que morou em Goiânia nessa época, em um colégio que fica na Praça do Cruzeiro, região sul de Goiânia, chamado Instituto Maria Auxiliadora.
Em 1972 eu era ainda muito criança, tinha apenas seis anos. Goiânia também era uma cidade adolescente e tranquila. Não havia a loucura dos enormes engarrafamentos de hoje, tampouco o telefone era como hoje, inconveniente, móvel, os chamados “celulares”.
Sobre a Praça do Cruzeiro, naquele tempo era um lugar encantador. A imensa fonte luminosa, com seus surpreendentes e coloridos jatos d’água me fazia ficar parado, encantado, a admirá-la. Maravilhosas canções eram transmitidas pelas potentes caixas de alto-falantes da fonte, que faziam uma perfeita harmonia com os jatos coloridos. Seus gramados de um verde muito vivo eram completados por pequenas plantas que sempre derramavam flores e mais flores. Um jardim de encanto. Havia também roseiras floridas, dos mais diversos tons e tamanhos.
O pipoqueiro, com seu carrinho e sua palavra amiga conquistava as crianças. Não havia o medo, era de confiança, tratava a todos com cortesia e conquistava amigos. Durante o dia, eu ficava contando as horas para que chegasse logo a noite, para que pudesse ir para a praça, rever a bela fonte luminosa, ouvir canções que encantavam e brincar com os amiguinhos da vizinhança.
Aquele foi um tempo que as pessoas se encontravam para conversar, trocar ideias. Era muito comum os vizinhos serem compadres e as crianças tomarem a bênção aos mais velhos. A televisão não era tão obrigatória, impositiva, fazendo com que todos ficassem mudos, lado a lado, olhar fixo na tela, sem conversar, como hoje. Havia confraternização, alegria de encontros. Era uma praça muito bonita e alegre.
Hoje, a praça ainda está lá. Como a Avenida Tocantins, sobre a qual já escrevi um dia, suas árvores e seus arbustos estão tomados pela fuligem. A fonte não mais existe, não mais tem música. E apesar dos modernos sistemas de iluminação existentes, a praça está quase às escuras. Não tem mais crianças a brincar, nem carrinho de pipoca. O pequeno quadro na parede de minha sala me leva até esse tempo.
Hoje, somos obrigados a viver, por razões segurança, trancados em casa. E no dia a dia, a luta é pela sobrevivência, cada um com sua ocupação, com sua obrigação a fazer.
Costumo afirmar que o melhor lugar do mundo deve ser a nossa casa. E ao fitar o quadro, que tem quase a minha idade, contemplo em um canto da linda paisagem, uma pequena, mas profunda mensagem, que sempre me leva à reflexões: “Faze de tua casa um paraíso, e o paraíso será tua casa”.