Junho se vai e deixa a saudade da poesia
trazida por manhãs luminosas e amenas, de céu intensamente azul, salvo por
alguns poucos e até inesperados dias em que a irmã chuva deu o ar de sua graça.
Este ano veio mais frio que o ano passado.
Dizem os entendidos que isso se deve ao fenômeno climático La Niña — ou talvez
ao El Niño, não me recordo qual deles —, relacionado ao aquecimento ou ao
resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, em decorrência
das variações na intensidade dos Ventos Alísios. Só espero que esses
"meninos" não tragam efeitos tão severos, como chuvas em excesso
capazes de provocar destruição, a exemplo do ocorrido em anos recentes.
Desde que me entendo por gente, junho é um
dos meus meses preferidos do ano. Evidente que há outros. Primeiro, porque é o
mês em que, assim como minha filha Alline, comemoro meu aniversário. Traz a
confortável sensação de realização e renovação, e a certeza de que mais uma
etapa da vida foi cumprida. E olhe que já se passaram — ou melhor, voaram —
sessenta junhos.
Do meu escritório, a janela lateral me
oferece diariamente a visão de um telhado carcomido pelo tempo, mas ainda
eficiente para proteger a família que abriga. Vejo também algumas belas e
bem-cuidadas árvores que, de vez em quando, se enfeitam de flores. Assim,
acompanho os dias, as semanas, os meses e todas as estações do ano desfilando
diante da minha janela. Vejo, igualmente, céus escuros, tomados por nuvens
densas e carregadas, que anunciam e embelezam as chuvas. Mas é a luminosidade
das manhãs que sempre me encanta, assim como o som maravilhoso da orquestra de
pássaros que, em determinadas horas do dia, se apresenta, e os inigualáveis
pores do sol que encerram cada jornada com delicadeza.
Outro motivo para eu sempre gostar de
junho é que ele antecede as férias escolares. Em parte da infância e pré-adolescência,
eu estudava longe de casa, em um internato, e a saudade de casa, dos meus pais
era intensa e confortava que as férias estavam prestes a chegar. O tempo
passou, me tornei pai e era sempre muito bom quando chegavam as férias escolares
de minhas filhas.
Julho, igualmente luminoso, alegre e de
dias mais quentes, sempre despertou lembranças, de quando fazíamos o
planejamento de viagens, especialmente para as praias do Araguaia, de
encontros, reencontros e da alegria de estar perto de quem se ama.
E, quando julho enfim abrir suas portas,
que traga consigo não apenas novos dias, mas gestos de bondade e amor, e que o
calor do sol aqueça igualmente os corações, tornando-nos mais generosos,
atentos às necessidades do próximo e agradecidos pelas pequenas dádivas da
vida.
Que nunca nos faltem esperança a cada
alvorecer, serenidade para seguir adiante e capacidade e vontade de espalhar
luz por onde passarmos.
As estações mudam, os meses se despedem, mas a beleza maior continua sendo aquela que floresce dentro de nós e se transforma em carinho, amizade e amor compartilhados.
@paulorolimescritor
@voxletter


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