terça-feira, 30 de junho de 2026

DE JUNHO, JULHO...



 

Junho se vai e deixa a saudade da poesia trazida por manhãs luminosas e amenas, de céu intensamente azul, salvo por alguns poucos e até inesperados dias em que a irmã chuva deu o ar de sua graça.

Este ano veio mais frio que o ano passado. Dizem os entendidos que isso se deve ao fenômeno climático La Niña — ou talvez ao El Niño, não me recordo qual deles —, relacionado ao aquecimento ou ao resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, em decorrência das variações na intensidade dos Ventos Alísios. Só espero que esses "meninos" não tragam efeitos tão severos, como chuvas em excesso capazes de provocar destruição, a exemplo do ocorrido em anos recentes.

Desde que me entendo por gente, junho é um dos meus meses preferidos do ano. Evidente que há outros. Primeiro, porque é o mês em que, assim como minha filha Alline, comemoro meu aniversário. Traz a confortável sensação de realização e renovação, e a certeza de que mais uma etapa da vida foi cumprida. E olhe que já se passaram — ou melhor, voaram — sessenta junhos.

Do meu escritório, a janela lateral me oferece diariamente a visão de um telhado carcomido pelo tempo, mas ainda eficiente para proteger a família que abriga. Vejo também algumas belas e bem-cuidadas árvores que, de vez em quando, se enfeitam de flores. Assim, acompanho os dias, as semanas, os meses e todas as estações do ano desfilando diante da minha janela. Vejo, igualmente, céus escuros, tomados por nuvens densas e carregadas, que anunciam e embelezam as chuvas. Mas é a luminosidade das manhãs que sempre me encanta, assim como o som maravilhoso da orquestra de pássaros que, em determinadas horas do dia, se apresenta, e os inigualáveis pores do sol que encerram cada jornada com delicadeza.

Outro motivo para eu sempre gostar de junho é que ele antecede as férias escolares. Em parte da infância e pré-adolescência, eu estudava longe de casa, em um internato, e a saudade de casa, dos meus pais era intensa e confortava que as férias estavam prestes a chegar. O tempo passou, me tornei pai e era sempre muito bom quando chegavam as férias escolares de minhas filhas.

Julho, igualmente luminoso, alegre e de dias mais quentes, sempre despertou lembranças, de quando fazíamos o planejamento de viagens, especialmente para as praias do Araguaia, de encontros, reencontros e da alegria de estar perto de quem se ama.

E, quando julho enfim abrir suas portas, que traga consigo não apenas novos dias, mas gestos de bondade e amor, e que o calor do sol aqueça igualmente os corações, tornando-nos mais generosos, atentos às necessidades do próximo e agradecidos pelas pequenas dádivas da vida.

Que nunca nos faltem esperança a cada alvorecer, serenidade para seguir adiante e capacidade e vontade de espalhar luz por onde passarmos.

As estações mudam, os meses se despedem, mas a beleza maior continua sendo aquela que floresce dentro de nós e se transforma em carinho, amizade e amor compartilhados.



@paulorolimescritor

@voxletter



Nenhum comentário:

Postar um comentário