sábado, 25 de agosto de 2018

SUA EXCELÊNCIA, O OUVINTE





É de conhecimento de todos, seja por meus singelos escritos ou pelas pessoas do meu círculo mais próximo que o rádio é presença constante em minha vida. E não poderia ser diferente, afinal desde a mais tenra idade eu me encantava com aquela caixa de tamanho médio que ficava em lugar de destaque na sala da casa simples da Fazenda Nova América, onde passei minha primeira infância.
Aliás, é interessante informar que foi através do rádio que meu pai soube de meu nascimento. Ocorre que minha mãe, por complicações na gravidez, a partir do sexto mês havia buscado melhores recursos de saúde e se hospedado na casa de familiares, na cidade de Porangatu, que distava 120 km da fazenda. E por recomendação médica lá ficou até que eu desse as caras por esse mundo.
A comunicação entre pessoas àquela época era muito difícil. As cartas demoravam uma eternidade para chegar do destino – quando chegavam. Restava o popular e onipresente rádio.
E no dia do meu nascimento, um conhecido da família – por nome de Zé Bentin, filho de Zé Bento - que rotineiramente buscava mantimentos em Anápolis para abastecer o comércio da pequena cidade onde ficava a fazenda, passou na casa de minha tia e soube do acontecido.
Ao chegar a Anápolis, deixou o caminhão carregando e tomou um ônibus com destino a Goiânia, onde foi direto e à sede da Rádio Brasil Central e através do programa Nossa Fazenda, comandado pelo saudoso comunicador Morais César, enviou o recado para meu pai. Recado que não podia faltar: “mãe e filho passam bem” e ao final o tradicional “quem ouvir por favor comunicar”. Foi assim que meu pai naquela longínqua década de 1960 soube de meu nascimento: através das ondas do rádio.
O tempo passou e o pequeno menino apesar de algumas enfermidades bravas, como sarampo, foi vingando. Logo se tornara um irrequieto, chorão e atentado moleque, para tristeza de minhas irmãs mais velhas que tinham a incumbência de cuidar de mim.
E eu ficava encucado diante daquela caixa onde homens, mulheres e crianças falavam a todo momento. Na minha ingênua cabeça de criança não cabia muito a ideia que homenzinhos viviam ali dentro. Como sobreviviam? E para onde iam quando o rádio era desligado?
Eu procurava sempre ficar por perto quando meu pai, após um árduo dia de trabalho na roça, pegava o violão e diante do velho ABC – A voz de ouro, se punha atentamente a ouvir e tirava “de ouvido” canções, que pouco tempo depois reproduziria à sua maneira, por suas mãos rudes e calosas, no violão. Depois, soube que eram canções de Bach, e a rádio era a BBC de Londres.
O tempo passou e tive a compreensão do que é o rádio e suas maravilhas. Até hoje não consigo mais me dissociar do rádio. É através do rádio que eu, assim como milhares de pessoas, tomo conhecimento das notícias mais recentes do meu guerreiro Vila Nova, bem como das novidades da política e outros assuntos do cotidiano.
Já há algum tempo estou do outro lado, seja como entrevistador, apresentador ou locutor de rádio, além de cronista do Seresta na Rádio Universitária. Sinto a emoção de ver pessoas que não conheço pessoalmente, mas que sei da bondade de seu coração, entrarem contato com a emissora e falarem do meu trabalho, da minha opinião sobre determinados assuntos, nem sempre concordando, mas dando a mim a oportunidade de refletir sobre aquilo que afirmei. Não posso conter a emoção.
O estúdio de uma emissora de rádio é uma pequena sala, onde não cabe muita gente. Mas o rádio é o veículo que consegue convergir pessoas de diversos pensamentos, credos e opiniões. E o coração de um comunicador, assim como o de quem recebe a mensagem, é de capacidade infindável.
Assim é o rádio, maravilhoso e tão importante na vida das pessoas. Na vida de pessoas que as vezes tentam resumir em um único nome: ouvinte.
Mas eu acho pouco; prefiro chamar: sua excelência, "o ouvinte".




quinta-feira, 26 de julho de 2018

INVERNO, FÉRIAS E EM BREVE, PRIMAVERA





O Inverno em Goiás, especificamente na minha querida capital Goiânia é de clima seco, com um friozinho nas madrugadas e manhãs amenas de sol brilhante, que refletido no verde das samambaias que ornamentam minha varanda trazem a certeza de um dia de beleza incomensurável.
Aqui, no amplo quintal há mangueiras, jabuticabeiras, mamoeiros produzindo e uma imensa goiabeira, onde pássaros de variadas espécies e tamanhos, moradores do bosque que fica aqui perto, fazem a festa desde as primeiras luzes do dia. A natureza, sábia e mãe, fez com que houvesse uma safra de goiabas temporãs, que fazem a alegria da passarada. Assim, periquitos, mulatas, maracanãs, rolinhas, pombas do bando e as vezes alguns casais de araras Canindé marcam presença.
Essas araras são um espetáculo à parte. De grande porte e cores azul e amarelo, são puro carinho com seus companheiros. Buscam a goiaba madura e fazem questão de dividir com quem está mais perto, intercalando a degustação com pequenas bicadas na penugem das outras, em claro gesto de carinho e alegria.
E trafegando pelas ruas de Goiânia, percebo uma maior tranquilidade no trânsito, sempre denso e complicado. Por causa das férias escolares, muitos aproveitam para viajar e descansar, buscando outras capitais e a grande maioria procura as praias do majestoso e belo Rio Araguaia, o que de certa forma esvazia as ruas.
Nessa época o Araguaia em toda sua extensão, de Goiás onde nasce até o Pará, onde desagua no Rio Tocantins (para muitos uma injustiça, pois o Tocantins é quem deságua no Araguaia) pela beleza das praias e a água rasinha atrai milhares de turistas, em busca do sossego – ou do agito conforme o lugar que escolhem.
Alguns acampamentos são mais luxuosos, repletos de modernidade, com água quente e equipamentos náuticos de última geração, além da TV de imagens perfeitas sempre ligada, internet wi-fi e shows musicais por toda a noite. Outros, um pouco mais adentro e longe das cidades são mais simples, com uma pequena área de convivência coberta por folha de coqueiro e próximo aos maravilhosos exemplares de ipê-amarelo que dominam a paisagem nessa época do ano. Para dormir e descansar as pequenas barracas onde apesar da simplicidade o corpo encontra conforto e segurança. De modernidade, apenas celulares sem conexão para tirar muitas fotos e às vezes um rádio, que traz a alegria e a comunicação de emissoras distantes.
Mas em tudo isso, independentemente de o acampamento ser simples ou incrementado, a certeza é que todos, democraticamente, podem curtir as águas generosas do rio e apreciar as belezas do pôr do sol, que segundo se afirma aqui é o mais bonito do mundo.
Mas o mês de julho logo chegará ao fim e voltaremos ao transito caótico e à rotina. Em agosto, mês seco e de muitos ventos, os pássaros começam a refazer seus ninhos, movimentando-se para continuar o maravilhoso ciclo da vida.
Mas a natureza sábia está a preparar um espetáculo. Após esses meses de inverno seco e com baixa umidade a partir dos primeiros dias de setembro o clima muda de uma vez quando costumam vir as primeiras chuvas e a natureza de imediato se abre em beleza, perfumes e aconchego: é chegada a primavera.
Assim, vamos seguindo. Da beleza das manhãs de julho à chegada da primavera, o tempo é curto. Passa rápido, como passa rápido a vida. E Primavera é esperança, beleza e renovação da vida.





sexta-feira, 6 de julho de 2018

NOVENTA MILHÕES, EM AÇÃO...



Foto: El País


Aos amigos que leem o título dessa crônica, apresso-me a explicar que não se trata de valores apreendidos ou confiscados em alguma das tantas operações da polícia federal que ocorreram, a exemplo da Lava Jato, ou estão em curso, buscando colocar bandidos corruptos atrás das grades e ressarcir aos cofres públicos, ao menos, parte do que foi surrupiado.
No caso, refiro-me ao título da música tema da copa de 1970, vencida por Pelé e seus companheiros, composição de Miguel Gustavo e gravada pelo ótimo conjunto musical “Os Incríveis”, detentores de grande sucesso à época.
Em 2018, segundo dados extraoficiais do IBGE somos cerca de 210 milhões de brasileiros. 210 milhões de pessoas vivendo em um país onde a velha formula de pão e circo parece não colar mais.
Não obstante os esforços da TV que detém com exclusividade os direitos de transmissão da copa do mundo edição 2018, de transformar os eleitos para vestirem a camisa amarela da seleção de futebol e que carrega as cores do país, em heróis e imbatíveis, tudo caiu por terra diante de aguerridos belgas.
Tal seleção de futebolistas começou com um grande show de acrobacias de seu eleito principal jogador, mas não fosse a perspicácia e confiança de um atleta coadjuvante – futebol é um jogo coletivo – teríamos perdido a primeira partida desse certame para a Suíça, ótima em honestidade e IDH, mas inexpressiva em futebol.
Mas a TV detentora dos direitos de transmissão insistia em acreditar e imputar ao crédito do telespectador que tínhamos uma equipe de super-heróis e homens de ferro, imbatíveis e abençoados pelos deuses – todos brasileiros – que trariam a copa do “sonhado” (?) hexacampeonato.
E quem eliminou nossos super-heróis do campeonato mundial? A Bélgica, de um futebol de pouca tradição, de incipientes participações em campeonatos mundiais. Sua melhor colocação foi no segundo mundial disputado no México, em 1986, quando obteve o quarto lugar.
Mas, em que esse país de pouco mais de trinta mil quilômetros quadrados é melhor que o Brasil, pentacampeão do mundo? Em quase tudo!
O Reino da Bélgica, situado no oeste do continente europeu, de quase doze milhões de habitantes, possui uma renda per capta de 45 mil dólares, grau de escolaridade ao nível dos países do continente, e é um dos países menos corruptos do mundo.
Se pensarmos em Brasil, claro que somos um país privilegiado. Temos um povo bom, recursos naturais como em nenhum lugar, um país de gente boa, porém o que tem acabado com nosso país é a corrupção.
Se começarmos pelo futebol, lembramo-nos que tem ex-dirigente condenado e cumprindo pena nos Estados Unidos da América. A cúpula dirigente da entidade responsável pelo futebol no brasil não pode sair daqui pois também irá para a cadeia americana.
Em alguns meses, teremos eleições. Então, que não elejamos ídolos de pés de barro, acrobatas como os que se apresentaram na copa, influenciados por este ou aquele veículo de comunicação.
Busquemos pessoas que querem o bem comum, sem corrupção, malandragem e desonestidade. E se você sonhou com um hexacampeonato, tudo bem, natural. Mas dependia do talento, da vontade e da garra de 22 jogadores.
Sonhe agora com um país melhor, pois depende unicamente de você eleger os que  hão de conduzir nossos destinos nos próximos quatro anos.
Queira um Brasil melhor e sem corrupção, ao depositar seu voto. Afinal, nesse jogo da democracia, seu voto certo será o gol decisivo!


sexta-feira, 29 de junho de 2018

JUNHO INDO, JULHO E FÉRIAS CHEGANDO...






Na noite da última quinta-feira, ao chegar em casa deparei-me com as luzes da varanda apagadas. Normalmente estão acesas, mas dessa vez ocorreu um problema com o sistema de células fotoelétricas, que ao anoitecer acende automaticamente as lâmpadas da casa.
Após colocar o carro na garagem, me permiti por alguns instantes admirar a escuridão da parte interna e ao me voltar para a parte de fora e contemplar o céu, agradeci pelo fato de as lâmpadas não estarem acesas: um espetáculo grandioso se iniciava. A lua aparecia entre prédios esplêndida, imponente e bela. E iluminava o firmamento e todo o meu quintal, majestosamente incrustada em um céu sem nuvens, de tom azul escuro.
Por um tempo que não posso mensurar, fiquei ali absorto, com o pensamento distante nas coisas boas e belas da vida. A lua cada vez mais brilhante e clara, em escala ascendente iluminava agora uma pujante roseira do pequeno jardim, que estava coalhada de rosas.
E uma dúvida surgiu: a lua se encantava com as rosas ou as rosas de encantavam e retribuíam a beleza da lua? Impossível saber...
Mas a responsabilidade voltou e tive que acender as luzes da casa. Rapidamente encontrei o pequeno problema ocasionado no sistema elétrico e a luz se fez presente em todas as varandas da casa.
Mas busquei uma cadeira de fios e fui fazer companhia à roseira, deixando a luz da lua acariciar minha face. Fiquei ali por um bom tempo, imerso em minhas reflexões.
O mês de junho está chegando ao fim. Tivemos um mês festivo, com homenagens a Santo Antônio, São João e São Pedro. Muitos festejos, alegria, comidas típicas, dança de quadrilhas. E julho está à porta, trazendo clima de férias e descanso para muitos. Tempo de praias no Rio Araguaia, reencontros e confraternização.
 É quando me lembro que em breve teremos eleições, e o país segue ainda em rumo incerto. É preocupante perceber que um país que há pouco mais de trinta anos lutava por liberdade de expressão, democracia, livre associação, multipartidarismo, hoje se veja com pessoas – desinformadas, diga-se – pedindo a volta do regime militar.
Vivi intensamente a época da ditadura. Lembro que para poder apresentar um espetáculo teatral era necessário obter autorização de um sisudo e quase sempre mau humorado servidor do departamento de censura polícia federal de então. Haviam outras situações, que também não deixaram nenhuma saudade. Vencemos, tivemos a aprovação de uma constituição cidadã – hoje mutilada – e o país experimentou por mudanças que vieram atender em parte aos anseios da sociedade.
Mas de repente, quem comandou essa mudança fez pior do que os que estavam no poder, levando o país, de gente honesta e trabalhadora, à uma crise sem precedentes.
E carregando junto instituições outrora merecedoras de crédito e confiança, como a nossa suprema corte, que parece mais uma banca de advogados que de fato guardiã da constituição. Isso para não falar em nossos parlamentos, que salvo raras e honrosas exceções, têm como integrantes pessoas descompromissadas com a sociedade, com o bem comum.
As eleições estão chegando. Os protagonistas até agora são os mesmos de sempre. Significa que nada deve mudar e que o país deve continuar como um paraíso de políticos corruptos e desonestos.
Mas é melhor voltar à lua e seu interessante diálogo com as rosas.  Tamanha beleza traz conforto e aconchego.  Lua, rosas perfumadas, noite de encantos, o som de um violão ao longe, tudo isso me faz ao menos por alguns instantes esquecer as mazelas do Brasil.
E embora tentem, ainda não conseguiram nos roubar a poesia. Que deve sempre prevalecer em nossos corações.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

JUNHO: FESTAS, E MUITA ALEGRIA!






O mês de junho era bastante movimentado na querida e saudosa Fazenda Nova América e em suas imediações. Assim que se iniciava, as famílias se reuniam para fazerem a novena em louvor a Santo Antônio. A cada noite acontecia na casa de uma família, onde os vizinhos se encontravam para rezar e se confraternizar.
Embora eu fosse muito criança, me emocionava com os cânticos, com as orações, com as demonstrações de devoção e o agradecimento de todos ao santo protetor. Eram depoimentos de pessoa simples, cercados de timidez, que agradeciam as graças alcançadas. Louvavam a saúde recuperada do filho que adoecera, a colheita farta na safra anterior, e por tantas razões que aquele povo simples fazia questão de colocar àquele momento.
Após as orações, sempre puxadas pela noveneira e pela dona da casa que recebia os visitantes fieis, era hora do jantar.
Àquela época era tudo muito difícil, mas todos se preparavam para aqueles festejos. Os mais remediados ajudavam aqueles que tinham menos recursos ou estavam passando por situação difícil, cedendo uma leitoa, uma quantidade de frangos e outras coisas. O fato é que sempre havia um jantar, que embora simples, era com muita fartura. E tudo com aquilo que produziam na terra.
Constava do cardápio o delicioso frango caipira ao molho, feito em grandes proporções em tachos sobre as fornalhas à lenha, carne de porco com farofa, abóbora com leite para quem andava enfastiado, arroz com suam de porco, feijão verde, quibêbe de maxixe, mandioca ou macaxeira, como chamavam na região frita e cozida. Para “queimar a manteiga”, os adultos se permitiam uma dose pequena de cachaça da região.
A meninada animada e esperta, mal jantava: queria mesmo era que chegasse o momento em que eram servidos os doces. Doces de leite, rapadura, cocada, a deliciosa canjica e outras guloseimas faziam a alegria dos pequenos. Mas era comum ver adultos, em sua simplicidade encherem os bolsos. “É para morder amanhã na roça”, diziam.
Cada casa tinha uma habitual regra. Em algumas, sempre aparecia uma sanfona, um violão e um pandeiro - ou uma zabumba. Noutras, o final era mais contido, havia a reza, o jantar e após isso, encerrava-se com boas conversas dos adultos próximo à fogueira. Mas aos meninos, a liberdade de brincarem era total, apesar de algumas mães e tias solteironas zelosas tentarem contê-los, sob o argumento que estavam com a barriga cheia. Como se adiantasse...
Mas invariavelmente, após a reza e o jantar havia muita diversão. E quando havia a coincidência de ser fim de semana – creio que propositadamente marcavam a noite de novena para a casa de alguém mais animado – tudo terminava em alegre folguedo, com animados saraus à beira de uma fogueira.
Para os que moravam mais distante e precisavam dormir, oferecia-se o pouso. E no dia seguinte, servia-se lauto café da manhã, com leite, cuscuz com nata, rapadura e claro, café. Antes, os homens que haviam pernoitado ali ajudavam no curral e as mulheres ajudavam ao limpeza e organização da casa.
O tempo passou e hoje para mim, tudo é saudade. As festas juninas são marcantes em minha vida.
Mas, mantendo a tradição, sei que minha irmã Vitória e seu esposo José Sôffa, todo final de junho, promovem a novena de em devoção à São Pedro em sua fazenda no município de Xinguara no Pará. E tudo sempre, claro, termina em festa, encerrando o mês.
Também foi em uma festa junina que comecei minha história vida com a amada. Depois de tantos anos, impossível não lembrar aquela festa junina, na rua do prédio onde morávamos; ali começávamos nossa caminhada.
E junho também é especial para mim, pois é quando sempre completo mais uma etapa da vida.
Junho é festa, alegria e claro: sempre saudade boa!
Assim sendo, vivas a Santo Antônio, vivas a São João, vivas a São Pedro!


sexta-feira, 8 de junho de 2018

MAIS POESIA, MENOS BARBÁRIE



As redes sociais e os programas vespertinos de televisão ultimamente têm trazido uma gama de cenas de violência e de pura barbárie. De repente chega um vídeo e quando o abrimos nos deparamos com lamentáveis cenas de pessoas agredindo outras, fazendo justiça com as próprias mãos. Percebe-se que pela ótica dos personagens dessas lamentáveis cenas, desde que os algozes tenham cometido algum crime, não importa se leve ou grave, suas mãos não ficarão sujas de sangue.
Da mesma forma, as ditas redes sociais tornaram-se terra de ninguém, ringues de violenta luta onde não há espaço para o debate ou a oposição ponderada e fundamentada de ideias, mas a “verdade” de um sempre deve prevalecer sobre aquilo que o outro entende ser correto, de acordo com seu pensamento.
Não há espaço para meio termo, bom senso ou reflexões. Se você entende como errado determinada ação política ou mesmo como munícipe e cidadão critica decisões de gestores públicos, imediatamente um batalhão de apaniguados que você sequer conhece, o defenestra e tenta a todo custo demovê-lo de seu pensamento e ainda por cima, o ataca violentamente.
Muito parecido os acontecimentos do virtual com as lamentáveis imagens de violência contra seres humanos, gravadas e repetidas milhões de vezes nessas maquininhas luminosas que um dia também serviram para ouvir a voz de pessoas queridas.
Em minhas reflexões e em bate-papo com amigos, chegamos à conclusão unânime que é preciso agregar coisas positivas ao nosso cotidiano. Pela manhã, ainda sob os últimos momentos da madrugada, quando o alvorecer chega belo e cheio de vida – seja com brilhante sol ou com a benfazeja irmã-chuva - que bom seria se ao invés de pregar o olho na TV, se pudesse buscar um poema, uma mensagem de paz ou até mesmo fazer uma oração...
Claro que não podemos nos furtar de saber as realidades. E a violência cotidiana é uma dessas tristes realidades em um país onde sucessivos governos – inclusive o atual – deixaram de lado a preocupação com o progresso e bem-estar da população, praticando atos escandalosos de corrupção que quebraram a nação. Inegável que com esses maus exemplos, a violência tendesse a crescer, tomando as dimensões atuais.
As maiores autoridades do país frequentam o noticiário, mas sempre dentro de conteúdos onde a corrupção e o roubo à “res publica” é o destaque.
Não está fácil viver em nosso Brasil. Mas busquemos soluções onde a paz e o bem sejam protagonistas. Propagar cenas de violência não ajuda em nada, ao contrário, pode desencadear reações semelhantes. Precisamos de mais poesia, lirismo, e menos barbárie.
Da forma que se vê, passaremos a achar normal que cidadãos de boa índole, em momentos de descontrolada fúria, julguem, condenem e executem a sentença, que pode ser até de morte.
Não podemos jamais nos acostumar e ver como normal a barbárie. Melhor, em tarde amena de outono, ver o entardecer chegar calmamente e buscar no coração versos e canções, onde certamente estará contida a poesia tão necessária à nossa vida.
Mais poesia, mais amor, solidariedade e sorrisos. Para que o sonho de um mundo melhor se torne realidade, devemos dar uma chance à paz!




sexta-feira, 11 de maio de 2018

MÃES: AMOR, TERNURA, SAUDADE





A publicação feita por uma pessoa amiga em conhecida e popular rede social, incitando seus leitores e seguidores a escrever uma frase que era – ou ainda é -  rotineiramente dita pela mãe, teve imediata e volumosa quantidade de respostas. Afinal, qual mãe não tinha, ou tem para seus filhos frases e expressões comuns, cotidianas e marcantes?
Ao passar os olhos sobre essa publicação confesso que me vejo novamente nas brincadeiras solitárias no oitão da casa simples da saudosa Fazenda Nova América, quando tinha por companhia o cachorro Guamá, e ficava sempre ao alcance dos olhos e ouvidos de minha mãe. Também me vi nos banhos de córrego com meu pai ou já adolescente e morando na cidade, na companhia de livros em intermináveis leituras, onde o pensamento voava através daquelas narrativas maravilhosas.
O coração bateu forte ao recordar a doçura da minha mãe em frases como “vem pra dentro, Paulinho”, ou “vem merendar” e depois, quando já era rapaz, “vai dormir, já está tarde” ou “não demore a chegar”.
A preocupação com a demora tinha sentido, pois no início das noites de sábado ia à missa e depois seguia direto para a praça da pequena cidade onde encontrava amigos e amigas da escola, começando ali a viver os primeiros momentos e emoções da juventude que se apresentava.
 Mamãe sempre foi muito zelosa. Lembro que quando deixamos a fazenda e mudamos para a cidade eu não tinha permissão para brincar na rua. Mas aos poucos fui fazendo amizade e conhecendo os vizinhos, a maioria da minha idade, quando comecei a jogar bola em frente à nossa casa, brincar de salve-bandeira, béti, e o mais legal de todos, de cowboy.
E quando demorava um pouco mais, bastava olhar rumo à minha casa para ver a inconfundível silhueta de minha mãe com o olhar na rua. Era o bastante para imediatamente deixar o que fazia e correr para casa, quando ouvia a frase “vai tomar banho, menino”.
Era hora de cuidar de algumas obrigações, como trocar água do galinheiro, molhar a horta e depois, ficar sossegado ou estudando, fazendo tarefas da escola.
Quando mudei para a cidade grande, meus pais continuaram morando na pequena São Miguel. E quando os visitava nas férias ou em feriados, era sempre uma grande alegria o reencontro. Ao dar a bênção, recebia um abraço, um beijo seguido de um “Deus te faça feliz”.
E como eram felizes esses momentos.
Hoje ao recordo com imensa saudade as frases e expressões que marcaram minha infância e adolescência. Ainda ecoa em meus ouvidos a voz suave e terna de minha mãe e estão no coração a lembrança de seus cuidados, seus carinhos.
Amor de mãe é único e inabalável. E as mães mesmo muito iguais no cuidado, no amor, no zelo com seus filhos. São capazes de enfrentar o mundo para defendê-los.
Que todos tenham as mães em seu mais absoluto carinho. E que as mães tenham todos os seus dias felizes.
Afinal, todo dia, é dia das mães.