sábado, 11 de novembro de 2017

JASMINS






Meus olhos te encontram
No ir e vir
De raio de luar
Que ilumina
Aguas correntes.

O coração,
Palpita
Feliz
À tua lembrança
Presente
No brilho
Da lua,
Mágica lua,
Que se confunde
Com teu
Olhar...

É que Ninfas
Sabendo de ti
A encantar as águas,
Trouxeram a lua
E ainda flores,
Pequeninas flores:
Jasmins,
Perfumados e
Encantados...

E teu olhar,
Amalgamado
Às águas e à lua,
Com a magia
Do perfume
De  jasmins!


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

OS FLAMBOYANTS FLORESCEM




Nas últimas semanas, enquanto a população de Goiânia clamava por chuva e água nas torneiras, a paisagem nas ruas da cidade era o retrato fiel do clima. O excesso de carros, não obstante a maioria das avenidas serem largas e amplas, trazia a sensação de sufoco e de imobilidade.
As árvores que ornamentam a cidade parecem dividir a agonia trazida pelo calor intenso, pelo clima com umidade próxima do zero, comparável aos maiores e mais secos desertos do mundo. Às vezes, uma rara, graciosa e furtiva brisa movimenta os galhos, com poucas folhas, mostrando ainda assim que a natureza apesar de tudo resiste e está viva.
Em Goiânia, em algumas avenidas prevalecem imponentes e belos flamboyants. No outono ficam com a aparência judiada, após deixar cair as folhas, ficando somente os galhos com aparência de ressequidos e de uma tonalidade negra. Têm a aparência de uma arvore fadada ao fim.
Mas, eis que chega a primavera, a mais bela das estações, e ainda que as chuvas não tenham dado o ar da graça, começa-se a notar que cachos de futuras flores estão saindo de seus galhos. É como se respondessem às indagações dos motoristas, que o tempo não ajuda e a chuva está demorando muito a vir. A mensagem dos cachos que logo hão de virar belas e majestosas flores é que apesar da sequidão e do calor, a vida continua, apesar dos maus tratos que a mãe natureza recebe.
O flamboyant é o símbolo pujante da primavera em Goiânia. Passado o tempo e antes que viessem ainda que tardiamente as primeiras chuvas, em uma manhã de de sol brilhante ele aparece todo coberto de flores. Flores vermelhas, amarelas, alaranjadas e algumas de um tom cinza forte, meio que voltado para o azul. A força que vem através dessas flores, apesar do tronco ainda ressequido e do clima quente e abafado, enche a vida de beleza e alegria. Os flamboyants parecem nos dizer que de fato a primavera chegou.
E com a presença das inúmeras flores começa-se a ver que no céu as nuvens que andavam sumidas e fugidias, se aproximaram e juntas parecem mais densas. Como se concordassem com a alegria, a resistência e força das flores que os flamboyants desabrocharam. E com isso, parecem ter trazido para si a responsabilidade de mostrar que era hora de mandar chuva, para alivio de todos.
Às vezes sou flamboyant. Não obstante em alguns outonos da vida perder folhas, e o tronco ficar fragilizado, o coração e a poesia fazem com que logo flores apareçam e tragam novamente a alegria.
Comparo a chegada das chuvas que trouxeram acalento, com a poesia que flui do coração. Não obstante momentos de incerteza e dificuldade.
O flamboyant e a vida, a vida e os flamboyants: sempre com a perspectiva e esperança de flores e a certeza que após o outono, a primavera chega. Com renovação, flores e muita, muita beleza. E também alegria e felicidade.






sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ÀS ETERNAS CANÇÕES DO REI




Enquanto tentava de uma ou outra forma minimizar o calor que tomava conta da noite da última quarta-feira, acabo por vir para o pequeno canto onde escrevo minhas simplicidades. E ao ligar o rádio, eis que ouço uma canção do rei Roberto Carlos. Canção antiga, salvo engano de um disco lançado em 1971, com uma letra intensa, onde se fala de recordações. Inevitavelmente me deixo levar por esses sentimentos de nostalgia e saudade.
Me vem à lembrança que a primeira vez que ouvi canções do rei Roberto Carlos, eu era ainda muito criança. Foi na sala da fazenda do meu avô, que ficava vizinha à saudosa e querida Fazenda Nova América, onde morávamos.
Ocorre que alguns primos meus que haviam se mudado para São Paulo fazia alguns anos vieram visitar a família e trouxeram uma novidade, algo até então praticamente desconhecido de todos ali: uma radiola, espécie de aparelho de som que funcionava à pilhas e rodava discos pretos, amparados por um pequeno braço.
A radiola tocava canções que de imediato achei pouco alegres e chatas. Muito monótonas para um menino tímido, de pouco mais de cinco anos. Mas o que me encantava mesmo era olhar para o pequeno alto-falante que ficava na tampa e, como no rádio, ficar imaginando como caberiam ali pequenos homens que cantavam.
Meus primos Dedé e Elídio, minhas irmãs e meu tio Marcelino passaram a tarde daquele longínquo dia de minha infância, salvo engano um sábado, ouvindo canções.  E ao irmos embora, eles continuaram entoando o refrão das músicas que ouviram. Assim, pela estrada que dava acesso à nossa casa, cantaram “Quando” e outras. Essa canção “Quando” marcou, e até hoje me faz recordar as cenas daquela tarde distante de minha infância, momentos que ficaram para sempre guardados no coração.
Um dia entendi que não haviam homenzinhos naqueles aparelhos, mas a tecnologia – à época, pouca se comparada com a de hoje – que se apresentava trazia diversão e alegria.
O rádio, talvez por ser tão presente e fazer parte de minha infância me acompanha até hoje. Companheiro inseparável e indispensável. E a partir disso foi inevitável notar que as canções do rei eram presença constante na programação das emissoras de rádio.
Àquela época ouvia-se a Rádio Globo do Rio de Janeiro, a Rádio Brasil Central de Goiânia e a noite era obrigatório ouvir a Rádio Record de São Paulo e a Rádio Tupi do Rio, que tinha um programa alegre, com a famosa “Turma da maré mansa”.
O tempo passou e as canções do rei sempre estiveram presentes em minha vida, seja em momentos de alegria, tocando violão, fazendo serenatas, em momentos românticos com a amada, ou mesmo deixando-me embalar, quase sem perceber, enquanto escrevo meus textos em uma noite de calor intenso, à espera da chuva que está demorando a vir.
Canções como "Detalhes", "Amada amante", "O portão", "Meu querido, meu velho, meu amigo" e tantas outras, além das recentes, sempre trazem um quê de romantismo, saudade, acalento.
As canções do rei: sempre eternas, no coração dos românticos. E no meu, no seu, em nossos corações.





sexta-feira, 22 de setembro de 2017

PRIMAVERA DE FLORES, CORES E LEMBRANÇAS





Há alguns dias observo que os pássaros que habitam meu quintal mudaram a rotina. Apesar do clima ainda estar quente e seco, os pequenos seres alados voltaram a construir seus ninhos de maneira frenética, buscando no chão pequenos gravetos para assim dar sequencia ao circulo maravilhoso da vida. O movimento dos pássaros construindo seus ninhos é um forte sinal que a primavera se aproxima.
Ah, primavera! Com suas belezas e encantos me traz de volta muitas lembranças, saudades, recordações.
As mudanças no clima e na rotina dos animais e das pessoas são plenamente perceptíveis quando ela se aproxima. As noites se tornam mais amenas, com madrugadas quase frias e as arvores cobrem-se de folhas novas, e ainda que a chuva não tenha chegado, demonstram que logo estarão cobertas de flores e em curto espaço de tempo, cheias de frutos. 
Desde criança eu me encantava com as flores da primavera, que após as primeiras chuvas, tomavam conta dos campos e dos quintais. Primeiras chuvas que de início vinham mansas, para em seguida acontecerem fortes temporais.
Lembro que na minha meninice, ao levantar pela manhã e, apesar de não totalmente refeito dos temores trazidos pelo barulho dos trovões precedidos pelas luzes intensas e rápidas dos relâmpagos, eu me enternecia ao ver que ainda havia uma chuva calma e suave. E ao olhar no horizonte, percebia o cafezal todo branco, como que coberto por nuvens ou por neve. Daquele cantinho, perto de minha mãe e ao lado do fogão à lenha, eu me punha a admirar aquela paisagem.
Mais tarde fazia questão de acompanhar meu pai em um passeio entre as imensas avenidas formadas pelos pés de café, sentindo o cheiro de terra molhada se misturar com o perfume daquelas flores brancas, alvas. Essas imagens ficaram em meu coração e daí em diante, sempre me encantei com a beleza das flores. Elas que me acompanham por toda a vida.
Interessante que antes da chegada das chuvas, tempo de calor não tem como deixar de notar os sofridos e mal cuidados flamboyants da minha cidade que, apesar da fuligem que cobre seu tronco e galhos, ao aproximar-se a primavera desabrocham cachos de cores intensas e vivas. Flores vermelhas, amarelas, brancas ou mesmo azuis. Sim, em Goiânia temos flamboyants de flores azuladas.
Nos canteiros centrais das avenidas é observar e se encantar com a beleza do verde das folhas e o amarelo ouro das flores que compõem a paisagem dominada pelas imponentes sibipirunas, que trazem a nós a esperança de dias melhores em nosso sofrido, vilipendiado e saqueado país.
E assim, eis que é chegada a primavera. O tempo seco e quente dá lugar às chuvas que aos poucos vão se firmando e com elas a presença das flores, que enchem a vida e o mundo de encantos.
Seja bem vinda, primavera. Primavera de cores, amores, encantos e flores. Muitas flores.




quinta-feira, 7 de setembro de 2017

ENCONTRO




Incitados pela brisa
O rio,
A tarde
E a ponte
Se encontram.
E felizes e encantados
Extasiam-se
Ante teu sorriso
Que ilumina o sol,
Em tarde
De quase
Primavera!


NA FLORADA DOS IPÊS


“Eu nasci no mês de agosto
O mês da flor do ipê
Os campos ficam floridos
Que dá gosto a gente ver...”
           (Da canção Flor do Ipê – André/Andrade)



No centro oeste e no norte do Brasil, ao inicio do mês de julho as mangueiras estão começando a soltar seus cachos de flores. Nos quintais, sítios, fazendas, beiras de estradas se nota a beleza e a pujança e chegando mais perto, sente-se facilmente adocicado e suave perfume.
Prenúncio de outra beleza que logo chega: a alegre e multicolorida florada dos ipês, que apesar da paisagem normalmente seca dessa época, com a chegada do mês de agosto, tornam o horizonte belo e encantador.
Ao trafegar pelas rodovias ou mesmo nas avenidas das cidades, fica impossível passar incólume e despercebido ante o majestoso colorido dos ipês. E eles parecem combinar, para que não falte beleza: primeiramente, vem a florada da variedade de flores roxas -  ou rosas; depois a de flores amarelas – que parecem ser mais numerosas – e por fim, as flores  brancas, em uma sequencia de pura harmonia.
As flores dos ipês e das mangueiras trazem com sua beleza e majestade um alento, ante a sequidão dos meses que precedem a temporada das chuvas e são uma espécie de cartão de visitas da primavera que em breve haverá de chegar.
E mesmo nesse tempo seco, as aves começam a se preparar para o acasalamento, iniciando a construção de ninhos. Algumas espécies até reformam o ninho antigo. E elas – as aves – sempre buscam lugares onde podem encontrar segurança juntamente com a próxima família que há de vir. É o ciclo venturoso proporcionado pela mãe- natureza, renovando e dando sequencia à maravilhosa arte de viver.
O colorido dos ipês me faz embarcar na saudade e adentrando os recônditos do coração, me reencontro com os campos da querida e saudosa Fazenda Nova América, local onde passei minha primeira infância. Foi lá que meus pais viveram boa parte de vida, dando condições e criando sua família.
Eu era ainda muito menino, mas me encantava com as belezas da fazenda. E ali, bem pertinho da casa simples onde morávamos havia uma pequena matinha que era rica em pés de ipês. As mangueiras imensas, pujantes e quase centenárias, ficavam nos fundos da casa, em um grande quintal, ao lado de outras arvores frutíferas.
Os ipês são apenas o principio da temporada de belezas que ocorrem antes da primavera. Logo em seguida à sua florada, nos primeiros dias de setembro, as imponentes sibipirunas derramam seus cachos de um amarelo-ouro intenso, que em contraste com o verde vivo de suas pequeninas e numerosas folhas, trazem as cores principais da bandeira nacional, completadas com o azul do céu e o branco das nuvens. Parecem saudar a pátria brasileira na semana de seu aniversário.
As beleza das flores das mangueiras, dos ipês e logo em seguida das sibipirunas, apesar do período com tempo seco e quente nos trazem a certeza que a vida se renova, assim como nossas esperanças. E nos dá a certeza que logo chegará alegre e colorida primavera.

 Assim a vida vai seguindo, e apesar de tudo o que vivemos e passamos, traz através da natureza inabalavelmente suas belezas e encantos. Adornada por flores. Flores de mangueiras, ipês e sibipirunas.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

TEMPO DE PREPARAR AS SEMENTES




Nos meses que se seguiam à colheita e com o fim da temporada das chuvas a lida na Fazenda Nova América era intensa. Meu pai, ajudado por alguns trabalhadores, iniciava o preparo a terra no local onde seria plantada a futura roça. Era sempre assim: mal terminada uma colheita, já era hora de preparar um local previamente escolhido, retirar o mato alto com foices e machados e organizar tudo em montes ou leirões, também chamados de coivaras.
Dali a algum tempo, quando o mato secava, colocava-se fogo e a exceção dos galhos mais grossos, quase tudo se transformava em cinzas. Ao lado dessas coivaras eram plantadas sementes de abóbora, melão e melancia, que após nascidas, rapidamente subiam naqueles galhos secos, enegrecidos pelo fogo. E mesmo sem jogar sementes e não obstante ter sido colocado fogo naquele local, nasciam sempre vigorosos pés de bucha, que eram utilizadas em diversos serviços de higiene e também de melão de São Caetano, uma planta muito usada para fins medicinais.
Após o preparo do local da roça, era hora de escolher as sementes. Espigas de milho previamente selecionadas – as graúdas e grossas – tinham as palhas retiradas e os grãos de parte delas selecionados. Deixava-se apenas uma pequena quantidade em cada ponta que eram debulhados e destinados a alimentar os animais. Nas sementes de arroz a feijão, adicionava-se uma pequena quantidade de veneno, para que as formigas e outros predadores naturais não impedissem a germinação.
Quando chegava agosto, mês de muitos ventos e seco, as águas do pequeno córrego que servia a fazenda baixavam um pouco. Mas tudo era compensado pela beleza dos ipês floridos que rodeavam a fazenda. Ipês roxos, amarelos e por ultimo os brancos davam vida e traziam a certeza que a natureza estava apenas se preparando para mais um espetáculo majestoso e belo, assim que começassem a cair as primeiras chuvas.
E por falar em chuva, no mês de agosto, por diversos momentos, meu pai ficava a fitar o horizonte, observando o movimento das nuvens. Fazia isso pela manhã, no meio da tarde e ao fim do dia. Ficava a olhar a barra do dia, para que com a sabedoria milenar recebida de seus antepassados, soubesse se a chuva estava próxima ou não.
Era comum nos meses de junho e agosto caírem algumas chuvas, chamadas de chuva das flores. Em junho, trazia frio e em de agosto, deixava o clima suave, ameno, ainda que por alguns dias.
E não havia tempo para descansar. Nesse hiato de tempo, hora de reformar as cercas, o paiol, os mangueiros onde se criavam porcos, corrigir as estradas de acesso à propriedade, combater as teimosas saúvas e um sem numero de serviços que exigiam muito esforço e dedicação.
Depois de todo esse trabalho, com a terra pronta, as sementes preparadas e a fazenda arrumada, era esperar as chuvas que não tardariam, pois os sinais no horizonte captados por meu pai, as mangueiras abarrotadas de flores e o ir e vir de pássaros davam a certeza disso.
Era quando chegava o tempo de semear, recomeçar o circulo venturoso da vida, na incansável luta pela sobrevivência.
No mês de agosto sempre me vem à lembrança a figura terna e suave de meu pai. Aquele homem de mãos rudes, grossas e judiadas pelo trabalho árduo do cotidiano, ainda encontrava inspiração e forças para, ao inicio da noite espantar o cansaço e reunir a família em deliciosos momentos de alegria, declamando versos cheios de poesia, ao som do seu violão dolente.
Naquele momento, independente da época do ano, era hora de semear – e também colher. Semear amor, carinho e ternura em nossos corações e colher sorrisos, harmonia, paz.

E é com essas recordações e saudades que venho homenagear e parabenizar os pais pelo dia. A todos, um feliz e abençoado dia dos pais!