sexta-feira, 15 de junho de 2018

JUNHO: FESTAS, E MUITA ALEGRIA!






O mês de junho era bastante movimentado na querida e saudosa Fazenda Nova América e em suas imediações. Assim que se iniciava, as famílias se reuniam para fazerem a novena em louvor a Santo Antônio. A cada noite acontecia na casa de uma família, onde os vizinhos se encontravam para rezar e se confraternizar.
Embora eu fosse muito criança, me emocionava com os cânticos, com as orações, com as demonstrações de devoção e o agradecimento de todos ao santo protetor. Eram depoimentos de pessoa simples, cercados de timidez, que agradeciam as graças alcançadas. Louvavam a saúde recuperada do filho que adoecera, a colheita farta na safra anterior, e por tantas razões que aquele povo simples fazia questão de colocar àquele momento.
Após as orações, sempre puxadas pela noveneira e pela dona da casa que recebia os visitantes fieis, era hora do jantar.
Àquela época era tudo muito difícil, mas todos se preparavam para aqueles festejos. Os mais remediados ajudavam aqueles que tinham menos recursos ou estavam passando por situação difícil, cedendo uma leitoa, uma quantidade de frangos e outras coisas. O fato é que sempre havia um jantar, que embora simples, era com muita fartura. E tudo com aquilo que produziam na terra.
Constava do cardápio o delicioso frango caipira ao molho, feito em grandes proporções em tachos sobre as fornalhas à lenha, carne de porco com farofa, abóbora com leite para quem andava enfastiado, arroz com suam de porco, feijão verde, quibêbe de maxixe, mandioca ou macaxeira, como chamavam na região frita e cozida. Para “queimar a manteiga”, os adultos se permitiam uma dose pequena de cachaça da região.
A meninada animada e esperta, mal jantava: queria mesmo era que chegasse o momento em que eram servidos os doces. Doces de leite, rapadura, cocada, a deliciosa canjica e outras guloseimas faziam a alegria dos pequenos. Mas era comum ver adultos, em sua simplicidade encherem os bolsos. “É para morder amanhã na roça”, diziam.
Cada casa tinha uma habitual regra. Em algumas, sempre aparecia uma sanfona, um violão e um pandeiro - ou uma zabumba. Noutras, o final era mais contido, havia a reza, o jantar e após isso, encerrava-se com boas conversas dos adultos próximo à fogueira. Mas aos meninos, a liberdade de brincarem era total, apesar de algumas mães e tias solteironas zelosas tentarem contê-los, sob o argumento que estavam com a barriga cheia. Como se adiantasse...
Mas invariavelmente, após a reza e o jantar havia muita diversão. E quando havia a coincidência de ser fim de semana – creio que propositadamente marcavam a noite de novena para a casa de alguém mais animado – tudo terminava em alegre folguedo, com animados saraus à beira de uma fogueira.
Para os que moravam mais distante e precisavam dormir, oferecia-se o pouso. E no dia seguinte, servia-se lauto café da manhã, com leite, cuscuz com nata, rapadura e claro, café. Antes, os homens que haviam pernoitado ali ajudavam no curral e as mulheres ajudavam ao limpeza e organização da casa.
O tempo passou e hoje para mim, tudo é saudade. As festas juninas são marcantes em minha vida.
Mas, mantendo a tradição, sei que minha irmã Vitória e seu esposo José Sôffa, todo final de junho, promovem a novena de em devoção à São Pedro em sua fazenda no município de Xinguara no Pará. E tudo sempre, claro, termina em festa, encerrando o mês.
Também foi em uma festa junina que comecei minha história vida com a amada. Depois de tantos anos, impossível não lembrar aquela festa junina, na rua do prédio onde morávamos; ali começávamos nossa caminhada.
E junho também é especial para mim, pois é quando sempre completo mais uma etapa da vida.
Junho é festa, alegria e claro: sempre saudade boa!
Assim sendo, vivas a Santo Antônio, vivas a São João, vivas a São Pedro!


sexta-feira, 8 de junho de 2018

MAIS POESIA, MENOS BARBÁRIE



As redes sociais e os programas vespertinos de televisão ultimamente têm trazido uma gama de cenas de violência e de pura barbárie. De repente chega um vídeo e quando o abrimos nos deparamos com lamentáveis cenas de pessoas agredindo outras, fazendo justiça com as próprias mãos. Percebe-se que pela ótica dos personagens dessas lamentáveis cenas, desde que os algozes tenham cometido algum crime, não importa se leve ou grave, suas mãos não ficarão sujas de sangue.
Da mesma forma, as ditas redes sociais tornaram-se terra de ninguém, ringues de violenta luta onde não há espaço para o debate ou a oposição ponderada e fundamentada de ideias, mas a “verdade” de um sempre deve prevalecer sobre aquilo que o outro entende ser correto, de acordo com seu pensamento.
Não há espaço para meio termo, bom senso ou reflexões. Se você entende como errado determinada ação política ou mesmo como munícipe e cidadão critica decisões de gestores públicos, imediatamente um batalhão de apaniguados que você sequer conhece, o defenestra e tenta a todo custo demovê-lo de seu pensamento e ainda por cima, o ataca violentamente.
Muito parecido os acontecimentos do virtual com as lamentáveis imagens de violência contra seres humanos, gravadas e repetidas milhões de vezes nessas maquininhas luminosas que um dia também serviram para ouvir a voz de pessoas queridas.
Em minhas reflexões e em bate-papo com amigos, chegamos à conclusão unânime que é preciso agregar coisas positivas ao nosso cotidiano. Pela manhã, ainda sob os últimos momentos da madrugada, quando o alvorecer chega belo e cheio de vida – seja com brilhante sol ou com a benfazeja irmã-chuva - que bom seria se ao invés de pregar o olho na TV, se pudesse buscar um poema, uma mensagem de paz ou até mesmo fazer uma oração...
Claro que não podemos nos furtar de saber as realidades. E a violência cotidiana é uma dessas tristes realidades em um país onde sucessivos governos – inclusive o atual – deixaram de lado a preocupação com o progresso e bem-estar da população, praticando atos escandalosos de corrupção que quebraram a nação. Inegável que com esses maus exemplos, a violência tendesse a crescer, tomando as dimensões atuais.
As maiores autoridades do país frequentam o noticiário, mas sempre dentro de conteúdos onde a corrupção e o roubo à “res publica” é o destaque.
Não está fácil viver em nosso Brasil. Mas busquemos soluções onde a paz e o bem sejam protagonistas. Propagar cenas de violência não ajuda em nada, ao contrário, pode desencadear reações semelhantes. Precisamos de mais poesia, lirismo, e menos barbárie.
Da forma que se vê, passaremos a achar normal que cidadãos de boa índole, em momentos de descontrolada fúria, julguem, condenem e executem a sentença, que pode ser até de morte.
Não podemos jamais nos acostumar e ver como normal a barbárie. Melhor, em tarde amena de outono, ver o entardecer chegar calmamente e buscar no coração versos e canções, onde certamente estará contida a poesia tão necessária à nossa vida.
Mais poesia, mais amor, solidariedade e sorrisos. Para que o sonho de um mundo melhor se torne realidade, devemos dar uma chance à paz!




sexta-feira, 11 de maio de 2018

MÃES: AMOR, TERNURA, SAUDADE





A publicação feita por uma pessoa amiga em conhecida e popular rede social, incitando seus leitores e seguidores a escrever uma frase que era – ou ainda é -  rotineiramente dita pela mãe, teve imediata e volumosa quantidade de respostas. Afinal, qual mãe não tinha, ou tem para seus filhos frases e expressões comuns, cotidianas e marcantes?
Ao passar os olhos sobre essa publicação confesso que me vejo novamente nas brincadeiras solitárias no oitão da casa simples da saudosa Fazenda Nova América, quando tinha por companhia o cachorro Guamá, e ficava sempre ao alcance dos olhos e ouvidos de minha mãe. Também me vi nos banhos de córrego com meu pai ou já adolescente e morando na cidade, na companhia de livros em intermináveis leituras, onde o pensamento voava através daquelas narrativas maravilhosas.
O coração bateu forte ao recordar a doçura da minha mãe em frases como “vem pra dentro, Paulinho”, ou “vem merendar” e depois, quando já era rapaz, “vai dormir, já está tarde” ou “não demore a chegar”.
A preocupação com a demora tinha sentido, pois no início das noites de sábado ia à missa e depois seguia direto para a praça da pequena cidade onde encontrava amigos e amigas da escola, começando ali a viver os primeiros momentos e emoções da juventude que se apresentava.
 Mamãe sempre foi muito zelosa. Lembro que quando deixamos a fazenda e mudamos para a cidade eu não tinha permissão para brincar na rua. Mas aos poucos fui fazendo amizade e conhecendo os vizinhos, a maioria da minha idade, quando comecei a jogar bola em frente à nossa casa, brincar de salve-bandeira, béti, e o mais legal de todos, de cowboy.
E quando demorava um pouco mais, bastava olhar rumo à minha casa para ver a inconfundível silhueta de minha mãe com o olhar na rua. Era o bastante para imediatamente deixar o que fazia e correr para casa, quando ouvia a frase “vai tomar banho, menino”.
Era hora de cuidar de algumas obrigações, como trocar água do galinheiro, molhar a horta e depois, ficar sossegado ou estudando, fazendo tarefas da escola.
Quando mudei para a cidade grande, meus pais continuaram morando na pequena São Miguel. E quando os visitava nas férias ou em feriados, era sempre uma grande alegria o reencontro. Ao dar a bênção, recebia um abraço, um beijo seguido de um “Deus te faça feliz”.
E como eram felizes esses momentos.
Hoje ao recordo com imensa saudade as frases e expressões que marcaram minha infância e adolescência. Ainda ecoa em meus ouvidos a voz suave e terna de minha mãe e estão no coração a lembrança de seus cuidados, seus carinhos.
Amor de mãe é único e inabalável. E as mães mesmo muito iguais no cuidado, no amor, no zelo com seus filhos. São capazes de enfrentar o mundo para defendê-los.
Que todos tenham as mães em seu mais absoluto carinho. E que as mães tenham todos os seus dias felizes.
Afinal, todo dia, é dia das mães.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

SEMPRE ELA: A POESIA





Quando menino eu me encantava com os sons advindos do velho e surrado violão que meu pai costumava tocar quase todas as noites – ou quando o cansaço da lida diária permitia. A singela calçada de chão batido, escorada por velhos troncos de madeira era seu palco, com a plateia cativa de meus irmãos e irmãs, além de minha mãe, que vez ou outra se animava a declamar versos. A luz que costumeiramente iluminava esse palco maravilhoso vinha da lamparina que ficava na sala da casa simples - e das estrelas, que pareciam emitir brilhos de alegria a cada acorde que meu pai dedilhava ao violão e a cada sorriso daqueles que estavam ali a se encantar.
 E vez em quando ela aparecia. No início eu apenas a percebia pelas frestas do telhado, juntamente com estrelas. E ela, a lua, assim como as estrelas companheiras aos poucos se iam deixando de certa forma confuso meu pensar de criança, que se encantava com o barulho da noite e a claridade do céu.
Mas eis que em algumas vezes ela vinha imponente, em início da noite com as luzes do entardecer ainda se despedindo do dia. Chegava imensa, clara, mágica e bela e se postava no firmamento, trazendo raios de luz que acalentavam ainda mais aqueles momentos de poesia, canções e felicidade.
A vida seguiu. A poesia, que conheci e senti quando minha mãe cantava ao me embalar na rede da pequena casa onde morávamos, ou nos singelos porem líricos momentos de enlevo ao som de canções, acordes e declamações, me acompanha até hoje.
Seguiu comigo na adolescência, no primeiro amor, nos poemas que me atrevi a compor ouvindo o coração, no andar pelas ruas de mãos dadas com a amada e a ela dedicar canções, como fazia meu pai à minha mãe.
Esteve nos momentos da infância de minhas filhas, em cada conquista que tiveram e sobretudo nos momentos de alegria que nos permitimos dividir. E na maioria das vezes com o som de um violão, mas agora, tocado por mim.
E a poesia se faz presente no sorriso de criança do pequeno Gabriel, que se encanta com coisas simples porem indispensáveis ao coração, como o canto de galo no terreiro, mugir de gado no campo, o diálogo ininteligível de um casal de araras que corta o céu na beleza de um entardecer, ao caminhar lenta e calmamente por uma estrada de fazenda, acompanhado pelo espevitado e irrequieto cãozinho Bidu.
Hoje recordo esses momentos, diante da mesma lua, das mesmas estrelas e do som da noite que um dia me fizeram companhia na infância. O tempo inexoravelmente passou, a vida trouxe novos e alegres momentos.
E com ela, sempre ela, a me acompanhar: a indispensável Poesia.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

ÁGUAS E TEMPESTADES DE ABRIL






O alto volume das águas que cai nesse mês de abril em Goiânia surpreendeu meio mundo. É que normalmente, após as aguas de março e a famosa e até esperada enchente de São José, por ocasião da data comemorativa ao santo, em abril caem poucas e distantes chuvas, como que a preparar para o mês de maio, onde tradicionalmente em Goiás se encerra o ciclo de chuvas.
Haviam ocorrências de chuvas fortes, mas a que caiu na tarde da última quinta-feira foi talvez, como nunca aconteceu por aqui.
De uma hora para outra se viu veículos rodando ao sabor da volumosa enxurrada e a assustadora imagem do Córrego Botafogo e sua famosa “marginal” tomados pela água deu a dimensão do que de fato ocorreu. Acostumados que estamos a ver tal situação em capitais como Rio de Janeiro e São Paulo, de repente percebemos que Goiânia não é mais aquela cidade tão boa de se viver, longe de tragédias e intempéries dessa monta.
Mas a pergunta que se faz é sobre os motivos dessas ocorrências. O que está acontecendo na outrora bela e acolhedora capital mundial do pequi? Afinal, chuvas fortes sempre ocorreram, mas de levar carros, invadir residências e tomar por completo ruas e avenidas não tenho lembrança.
E antes que os especialistas de plantão coloquem a culpa em situações óbvias, como o desmatamento da Amazônia, aquecimento global, o Presidente Trump e outros motivos, é preciso olhar para o que ocorre em nossa metrópole.
Até algum tempo, tínhamos quintais, onde se cultivavam pequenas hortas, cresciam mangueiras e outras arvores frutíferas. Hoje, somente cimento e com sorte, quem pode tem uma piscina. Os quintais acabaram, afinal, ninguém tem tempo para cuidar de horta, podar mangueiras e com frequência varrer e retirar as folhas que caem ao chão.
Outro fator importante é a especulação imobiliária desenfreada, desumana e fria, com imensos arranha-céus que fazem jus ao nome sendo construídos em locais até então inimagináveis. Pode até ser símbolo de modernidade, mas as consequências certamente são o que se viu esta semana.
E a natureza, assim como a arte, imita a vida. Vivemos em nosso país intempéries e incertezas quanto ao futuro. De uma hora para outra, tribunos do alto de sua megalomania e vaidade estão a decidir os rumos de nosso país. Com o poder que têm, levam àquele cidadão simples que deixa seu lar para ir ao trabalho as cinco da manhã a certeza que poderosos se locupletam em mares de lama da corrupção e ainda tem apoio desses “doutores”.
O cidadão que trabalha o dia inteiro na maioria das vezes por um salário irrisório, volta para casa sem saber se encontrará seus poucos e simples móveis dentro de casa; e ainda vê que corruptos encontram guarida diante de altas autoridades.
Daqui do meu cantinho simples, humilde e aconchegante, onde me permito admirar a chegada de um novo dia, ou mesmo ver a noite calma e tranquilamente trazer estrelas ou nuvens de chuva benfazeja - às vezes com sinfonia de pássaros - me resta ter esperança. Esperança que nosso país volte a ser um lugar onde as pessoas podem se cruzar nas ruas harmoniosamente, sorrir um para o outro e serem amigos, independente de opção partidária.
É a esperança que resta. E que nunca darão conta de acabar.


sexta-feira, 2 de março de 2018

O TEMPO, A VIDA...





Sentado na antiga e recém restaurada cadeira de fios, que sempre está no mesmo lugar, ponho-me a observar as samambaias que ornamentam a varanda de minha casa. São muitas, quase uma dezena, penduradas rente aos beirais, tornando o lugar agradável e bastante acolhedor.
A maioria dessas samambaias foram mudadas há pouco mais de um ano. Vieram se juntar a outras que já estavam aqui. No início eram pequenas mudas e sobravam nos vasos onde foram plantadas, mas com o passar do tempo, zelo e muito cuidado tornaram-se pujantes e volumosas.
 Por estarem penduradas rente aos beirais da varanda recebem suave e tranquilamente, sempre que chove, uma parte dos generosos pingos que caem, alimentando sua sede de vida. E assim vão ficando cada vez mais belas, principalmente quando a luz do sol vem abraça-las, depois de uma chuva de verão.
Não estão sozinhas, pois têm por companhia exemplares de espécies como avencas, lírios e uma variedade diferente, conhecida como “beira d’água”, certamente colhida às margens de algum córrego por aí.
Imerso em minhas reflexões, ao desviar o olhar e o pensamento e contemplar a beleza das samambaias, é impossível não traçar paralelos com a vida. Parece não fazer muito tempo, éramos pequenos, frágeis e dependentes. Mas o tempo veio trazendo consigo a alegria da vida e ao mesmo tempo, as responsabilidades, as obrigações quase sempre pesadas que a vida traz.
A vida, como na rotina das samambaias, alterna momentos de chuva – as vezes forte, algumas tempestades, e momentos de sol e luz. E apesar dos ventos que sempre vêm nos balançar e tentar nos levar, estamos amparados por raízes que embora pareçam frágeis, são firmes e apegadas àquilo que nos sustenta e mantém em pé.
É impressionante como tudo é muito rápido. A rotina que vivemos, talvez faça com que não percebamos a velocidade do tempo e o sutil, porém constante passar das horas, dias, meses e anos.
Nem notamos mas passamos a infância, a adolescência, que logo deu lugar mocidade – tempo de amores, paixões, sonhos e de consolidação daquele que será o futuro. E logo veio casamento, seguido de filhos, até que um dia, a vida nos surpreende trazendo a incomparável alegria da presença dos netos.
É marcante a busca que fazemos em direção ao futuro. Lembro o tanto que queria que chegassem logo os quinze anos, a maioridade aos dezoito e a consequente conquista de liberdade, de sonhos como faculdade, a carteira de motorista, independência financeira.  De repente o futuro era presente, delineado e vislumbrado bem diante de nós.
Assim caminhamos. Um dia distante, nossos pais e irmãos comemoraram nosso primeiro aniversário. Nem percebemos, mas chegamos muito rápido aos vinte, trinta, quarenta anos de idade.
Em momentos de absoluta tristeza, pessoas queridas se foram, nos deixaram para sempre, porém como costumam dizer: é o destino.
O tempo, esse nosso amigo inseparável, porém implacável, nos mostra que devemos viver bem e intensamente cada momento que a vida nos proporciona.
Dessa forma, chegar aos sessenta, setenta e outros tantos anos de vida plenos e felizes.
Que a vida queira sempre assim.



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

RÁDIO: INSUPERÁVEL E SEMPRE COMPANHEIRO





Para Dalva de Oliveira - eterna dona da noite e rainha do rádio!


Decorridos quase cem anos da primeira transmissão radiofônica no Brasil, o rádio continua sendo um grande e insubstituível companheiro.
Desde o grande rádio valvulado de mesa imponente e elegante, cujas marcas mais conhecidas eram Semp, Philips, ABC – A voz de ouro, Philco, Imperador e outros, que era o personagem central de muitas salas de visitas ao atual sistema, onde o som e a programação de uma emissora chega através do rádio no carro, no aplicativo no smartphone, ou mesmo através do portal de notícias, o rádio é o grande personagem da vida das pessoas.
Foi através do rádio, transmitido principalmente nas faixas de ondas curtas e tropicais, que o mundo encurtou distancias. Para quem morava nos rincões do Brasil ficar sabendo de notícias de familiares distantes ou mesmo do que ocorria nos poderes da república, o rádio era o grande e quase sempre único meio de informação.
Integrou o país de norte a sul, levando as diversas culturas do nosso continental país. Assim o Brasil soube de artistas como o gaúcho Teixeirinha, conheceu as vozes maravilhosas de Orlando Silva, Carlos Galhardo, sua majestade Nelson Gonçalves, Núbia Lafayette, Maysa, Emilinha Borba, Cauby Peixoto e Ângela Maria, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, dentre tantos nomes.
Muita gente haverá de lembrar do Palhaço Carequinha, que fazia sucesso na poderosa e de grande alcance Rádio Globo do Rio de Janeiro. E das grandes emissoras de São Paulo, como a Rádio Record e Rádio Capital onde a música sertaneja de raiz teve vez, espaço e voz, principalmente através dos irmãos Oswaldo, José e Arlindo Bétio.
Em Goiás, tivemos como pioneira a Rádio Clube de Goiânia, hoje Rádio Sagres 730, seguida da Rádio Brasil Central, Rádio Anhanguera (hoje Rádio Daqui), Difusora Goiânia, Jornal de Goiás (hoje Band), Riviera que eram e ainda são AM, mas à época muitas transmitiam nas hoje esquecidas e para muitos desconhecidas ondas curtas e tropicais, que chegavam a todos os rincões do mundo – e a Rádio Universitária, que em 2018 completará 55 anos. A frequência de FM somente chegaria e se popularizaria no final dos anos 1970 e início dos anos 1980.
Um dos grandes momentos do rádio, além de levar informação e cultura, era quando aproximava pessoas. Servia de fundo musical a momentos românticos ou mesmo permitia que pessoas distantes se conhecessem, através dos programas específicos que recebiam e divulgavam as famosas cartas dos ouvintes.
Em Goiás temos a nossa Rainha do rádio, a dona da noite, que com sua voz suave e doce propagava o amor através do romantismo sempre presente em seus programas.
Com nome igual ao de cantora famosa, Dalva de Oliveira é até hoje o grande ícone do rádio goiano e um dos maiores do Brasil. Começou por aqui ainda menina nos antigos sistemas de autofalantes da querida Campininha das flores e logo estava nas maiores e melhores emissoras do estado.
Dalva de Oliveira, a nossa querida e amada dona da noite, rainha do rádio, continua inesquecível. Marcou época onde o amor e o romantismo prevaleciam no rádio.
E Dalva de Oliveira merece todas as homenagens e todo o nosso carinho. Salvas e vivas à nossa sempre “Dona da noite”!