sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

NATAL: DE SAUDADE E REENCONTROS

 




 

O natal de 2021 será marcante por alguns aspectos, dentre eles, os reencontros. Depois de períodos difíceis – ainda está difícil – mas amenizado sobretudo pela vacinação de grande parte de população e a consequente baixa no número de mortes causadas pela Covid-19.

A situação atual ainda requer muito cuidado e certo distanciamento. Os abraços ainda terão que ser contidos, mas ao menos a presença se torna possível.

Muitos reencontros ocorrerão, corações baterão mais forte e a saudade ficará um pouco de lado, ante a alegria e a ternura de um olhar nos olhos, de ouvir a voz e de sentir o carinho e o amor de pessoas queridas bem de pertinho.

Voltando o olhar para fora, a tristeza de constatar que para milhões de pessoas – adultos, crianças, jovens, velhos, enfim, famílias - a noite de natal será apenas mais uma como outra qualquer, onde o cotidiano é a falta de comida na mesa, ou, a ausência de tudo. Talvez a única diferença venha pela TV ou pelo rádio, quando as canções e os anúncios mostram que a noite e o dia de natal estão próximos.

E se Jesus resolvesse nascer novamente hoje? Certamente, como há mais de dois mil anos, não nasceria em palácios, , mas em uma dessas casas humildes de periferia, onde além da falta de tudo, existem alguns componentes perversos, dentre eles a falta de trabalho, a miséria e a violência.

Por falar em palácios, suas excelências haverão de estar se refestelando, acompanhados de um séquito de puxa-sacos em banquetes de arromba, regados a vinhos e outras bebidas caras – certamente às expensas do erário.

E nos reencontros, a grande e imensa maioria das famílias brasileiras nesse natal estará em silêncio, ou com o choro contido, recordando seus entes queridos que se foram, vitimados pela tragédia causada pela fatal e desumana Covid-19.

Haverá sempre um ou mais lugares vagos, onde a saudade é dor insuportável e cruel, que custa a passar, se é que irá passar algum dia.

Podemos nos considerar sobreviventes, e agradecidos ao Pai, celebrar por isso. Que a esperança, apesar das saudades, volte a tomar conta de nossos corações e de nossa vida.

Afinal, apesar de tudo que tenha acontecido, o amor que está em nossos corações nos fortalece e sempre será maior e capaz de vencer qualquer intempérie ou tempestade que venha sobre nós.

Natal de saudades, mas de esperança, fé e confiança no futuro. Que seja feliz.  

Feliz Natal!

 

sábado, 24 de abril de 2021

GALOS, MADRUGADAS, QUINTAL...




Razões de segurança e bom senso exigiram que eu retirasse do meu quintal uma mangueira que se tornava cada vez mais imponente, imensa, dominando grande parte do quintal, além de estender seus galhos sobre a varanda de minha casa e o quintal do vizinho.

Fiquei triste ao tomar tal decisão, afinal, ainda nem bem terminara sua última e generosa safra, deixando entrever entre suas folhas algumas mangas tardãs. Mas, era imperioso que o serviço fosse feito, para evitar prejuízos a mim e problemas ao vizinho. A árvore, generosa que sempre foi, pagava um alto preço por cumprir sua sina de crescer e dominar espaços.

E em uma triste tarde de sábado, um eficiente e cuidadoso “cortador” chegou, acompanhado de um ajudante e munido de motosserra, facão, cordas e outras ferramentas necessárias ao serviço. Embora pela manhã não houvesse prenúncio de chuva, o início da tarde veio com leve e suave chuva, como lágrimas de despedida dos céus.

Tive que acompanhar o trabalho de derrubada e retirada da mangueira, que aos poucos foi sendo desnudada, mostrando sua intimidade, de galhos fortes, mas não o suficiente para enfrentar a força e a rapidez da motosserra que com seu barulho característico, constante e até irritante ia aos poucos vencendo a agora indefesa árvore. Doía no coração, na alma o barulho de cada galho que caía.

Ao lado, no alto da goiabeira, um casal de pombas-do-bando que habita o quintal há muitos anos, observava e parecia perguntar o que era aquilo, o porquê daquele ato tão radical, afinal, era ali que eles há anos faziam seus ninhos, tinham seus filhotes, davam sequência à vida. Interessante é que nesse ano, resolveram fazer seu ninho um pouco afastado da mangueira, em um ponto alto e protegido da goiabeira.

Ao final, o quintal ficou órfão de sua árvore mais imponente, que dominava totalmente o ambiente. Por outro lado, a visão do céu, dos telhados vizinhos, do alvorecer e do entardecer ficaram mais amplos.

Aos poucos, fui me acostumando ao novo visual. Com a ausência da mangueira, o pé de goiaba se animou a novos galhos em direção ao vazio que ficou, a varanda ficou mais clara e ao alvorecer, as primeiras luzes do dia, seguidas do sol encontram espaço para gentilmente abraçar o meu canto.

Aliás, falar em alvorecer, começo sempre o dia muito cedo. Nem bem a madrugada se despediu da noite, já estou instalado em meu canto de home-office, na velha e quase secular mesa situada na varanda da cozinha, trabalhando em meus textos, sentindo o friozinho típico de Goiás, na companhia de canções vindas através das ondas do rádio e de uma generosa xícara de café, forte e com pouco açúcar.

O dia vai dando sinais que logo chegará. Primeiro, o som nostálgico de alguns resistentes galos em quintais da vizinhança, depois a chegada de tênues luzes no horizonte, quando o céu começa a adquirir cores fortes em tons amarelos e avermelhados, que parecem dialogar carinhosamente com as nuvens para que receba o irmão-sol em harmonia e plenitude. Os pássaros, ante as luzes que chegam começam sua sinfonia e seus movimentos de ir e vir, saudando o dia.

É meu recanto. Embora sinta saudades da imponente e generosa mangueira, ainda tenho por companhia uma pequena horta com pés de jiló, pitaya, açafrão, cebolinha, salsa, alecrim, capim santo (ou capim cidreira) e também uma parte com alguns poucos pés de mandioca, pé de goiaba, mamão, acerola, jabuticaba, uma imensa roseira que não tem espinhos, além de samambaias, orquídeas, e outros pequenos arbustos que dão belas flores que, embora os tenha há bastante tempo, não sei o nome.

Gosto muito daqui, onde posso ouvir canto de pássaros, ter bom ar para respirar e assim, poder ter uma vida saudável na metrópole. Preciosidade para mim que tenho minhas origens na roça, na querida e saudosa Fazenda Nova América.




quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

DIREITA X ESQUERDA – ESQUERDA X DIREITA: A SOCIEDADE CANSOU DESSE INÚTIL EMBATE

 


Elemento relativamente novo na vida da maioria dos brasileiros, as redes sociais, ao surgirem, logo foram incorporadas ao cotidiano de jovens, sobretudo adolescentes e em pouco tempo adquiriram grande abrangência, conquistando milhões de usuários e fãs. Alguém lembra, conheceu ou sabe o que foi o Orkut, por exemplo?

Através delas a comunicação foi amplamente facilitada, trazendo maior interatividade e  possibilidade de ampliação de network, saber um pouco mais detalhadamente da vida e do cotidiano de pessoas conhecidas e claro, facilitando relacionamentos.

Mais recentemente, a política, ou os políticos, descobriram as redes sociais como forma de convencimento e de trazer para si seguidores, correligionários, apoiadores. Se por um lado permitiram que divulgassem ou apresentassem ideias e projetos, por outro acirrou confrontos. Diariamente, se vê desrespeito, pouca educação e tentativas inócuas de imposição de pontos de vista ou ideologias. Para quem observa de longe, subentende-se que quem está ali com esse comportamento, não efetua postagens para convencer a quem quer que seja, mas apenas para marcar presença e se fazer notado por seus chefetes políticos e na maioria das vezes, garantir um empreguinho para si ou para algum familiar.

Antes de 2017, os “brigões” ou encrenqueiros das redes, se limitavam aos apoiadores de alguns partidos ditos de esquerda, mas logo apareceram os ditos de direita, defendendo inclusive o então candidato e atual Presidente Jair Bolsonaro, que fez sua campanha à presidência em grande parte baseada em redes sociais.

A partir disso, muitos cidadãos que eram discretos, se expuseram, passando a maior parte de seu tempo provocando e estimulando conflitos, exemplo seguido pelo presidente da república e seus filhos.

Essas situações de confronto acabaram deixando as telas coloridas dos smartphones e notebooks e passaram para locais como o ambiente familiar, a porta do supermercado, feiras livres (apesar da pandemia) e igrejas. Como torcedores de times de futebol, é comum ouvir dizer: “Aquele é desse lado”, ou “Esse é do outro lado”.

O ápice dessa sandice e virulência em sua face mais visível, ocorreu na última terça feira (16), quando o deputado federal pelo Rio de Janeiro Daniel Silveira, do PSL e da base de apoio do Presidente Bolsonaro no congresso, soltou sua verborragia em um vídeo, onde segundo suas palavras, ameaça ministros do Supremo Tribunal Federal. Óbvio que é algo inadmissível em uma democracia, pois apesar da liberdade de expressão ainda garantida pela Constituição de 1988, o respeito entre membros dos poderes é fundamental, ainda que se discorde de seus atos.

A imediata reação da suprema corte, com o ministro Alexandre de Moraes determinando a prisão em flagrante do parlamentar deu visibilidade e talvez, o palco que o deputado possivelmente queria. Para tanto, Alexandre de Moraes invocou o inquérito contra os atos antidemocráticos, conhecido no meio político e jurídico como “O inquérito do fim do mundo”, onde Daniel Silveira é investigado. O caso promete ainda muita repercussão e desdobramentos.

Mas para o lado de cá pouco se faz. Políticos não costumam agir em favor do povo que vive sem mordomias e sofre as agruras de uma economia em frangalhos, com alto nível de desemprego e subemprego, 240 mil mortes causadas pela Covid-19, sem saber quando terá acesso à vacina, além da violência crescente em diversos níveis e incerteza em alta quando ao futuro e sem sequer poder imaginar como estaremos daqui a um ano, ou, como será o Natal de 2021.

O congresso nacional, que a cada legislatura parece piorar, precisa exercer as funções que lhe foram confiadas. Necessário deixar de lado a beligerância inútil das redes sociais e pensar e agir em favor dos brasileiros, e não apenas fazer política em benefício próprio.

A política, a proximidade do poder seduzem e geram ambições. Por aqui, começam a chegar paraquedistas, que embora há muito não pisem em solo goiano, estão de olho nas benesses que um mandato longo como o de senador proporciona. Para isso, propõem até deixar sua luxuosa mansão em São Paulo e com o dispêndio de muito dinheiro, enfrentar o sacrifício de uma “árdua” campanha eleitoral. Claro, subestimando a inteligência do eleitor goiano. Correremos o risco de ter por aqui um caso como o de Ney Suassuna, que empreende e mora no Rio de Janeiro e disputa eleições pela Paraíba?

Precisamos de ações positivas, e uma delas é eleger parlamentares que no mínimo sejam honrados, não tragam consigo a mácula de ter cometido roubo ao erário, bem como não cultivem o hábito de acobertar crimes de seus pares. E que trabalhem, não apenas briguem nas redes sociais. Utópico? Sim, mas possível.

Dependerá de cada um de nós! Saber votar, e procurar esclarecer a importância do voto a quem acha que “votar é bobagem”. O voto, ainda é nosso grande instrumento de mudança.

E mudar para melhor, depende sim, de cada brasileiro.

Depende de nós!

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

NOMEAÇÃO DE NILSON JAIME PARA SUPERINTENDÊNCIA DE CULTURA É BEM RECEBIDA

 

Nilson Jaime - Arquivo pessoal

Repercutiu positivamente junto ao setor cultural de Goiás a nomeação pelo Governador Ronaldo Caiado do historiador e pesquisador Nilson Jaime para a Superintendência de Fomento e Incentivo à Cultura da Secretaria de Cultura Estadual.

O comando da pasta continuará nas mãos do titular da Secretaria da Retomada, Cesar Moura, e caberá a Nilson Jaime a gestão cotidiana das ações voltadas ao setor cultural.

Foram inúmeras as manifestações positivas pela nomeação de Nilson Jaime. Para Moka Nascimento, presidente do Sindicato dos Músicos do Estado de Goiás, “Foi uma sábia escolha do Governador Ronaldo Caiado, pois Nilson Jaime é imbuído de ampla visão artística e cultural”.

Segundo Sônia Martins, diretora da Academia Ibiaense de Letras, de Ibiá -MG, “A cultura de Goiás está em boas mãos. Ótima e inteligente escolha”. O Professor Eurípedes Leôncio também se manifestou ao afirmar que “Sua nomeação nos enche de esperança e é um reconhecimento à sua capacidade de gestão e liderança”.

Bento Fleury, presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis (ICEBE) e vice-presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) saudou a nomeação de Nilson Jaime ao afirmar que ele pode contar com seu apoio, “esperançoso na edificação de um tempo melhor para nossas ações culturais, na realização de muitas iniciativas para o bem comum”.

Nilson Jaime possui larga militância na área, é escritor, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), membro da Academia Pirenopolina de Letras, Artes e Música (APLAM), da Academia Goianiense de Letras (AGnL). É presidente da Academia Palmeirense de Letras, Artes, Música e Ciências (APLAMC), Conselheiro da Associação Goiana de Imprensa (AGI), Vice-Presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (ICEBE) e reconhecido como muito competente no meio cultural de Goiás e outros estados. Ex-professor da Universidade Federal de Goiás, é mestre e doutor em Agronomia.

A confiança é de todos os goianos, que militando ou não no setor cultural, aplaudem a presença de nomes honrados, representativos, trabalhadores, capacitados, agregadores e com visão de futuro como Nilson Jaime.

A ele, todo o apoio e nossa certeza que, se terá muito trabalho, para o bem de Goiás e dos goianos colherá frutos positivos de sua gestão. Sucesso nessa caminhada.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

2022? ESTÁ LOGO ALI!



Mal foram empossados os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos em 2020 – um pleito que bateu recorde de abstenções, por causa da Covid-19 e sua letalidade – os olhos dos políticos brasileiros imediatamente se voltaram para 2022, quando seremos convocados a ir às urnas eleger presidente, governadores, deputados estaduais e federais e senadores.

Aliás, alguns dirigentes de agremiações partidárias, antes mesmo das eleições municipais já tinham suas estratégias voltadas para 2022, aproveitando o momento do pleito de 2020 como balão de ensaio e avaliando possibilidades.

Hoje, em janeiro de 2021, o cidadão comum certamente prioriza outras preocupações que não as próximas eleições, afinal, para quem é de bem, trabalhador, honesto e diariamente tem que acordar cedo, correr e lutar para manter seu trabalho, sua sobrevivência e de sua família, está pouco se importando com eleições, ainda mais no “longínquo” ano de 2022.

Mas o mundo político, esse sim, continua atuante e luta para estar em evidência e manter ou buscar o poder para si e seu grupo.

O noticiário – ou “a mídia” – cotidianamente traz farto material sobre política. Apesar dos recessos de natal e ano novo, as movimentações de bastidores seguiram e seguem a mil por hora. E há fatos que podem ajudar sobremaneira a pavimentar uma vitória em 2022, como colocar aliados e apaniguados em secretarias municipais ou obter um bom cargo em uma câmara municipal. E chama à atenção a movimentação para as eleições das mesas diretoras do Senado da República e da Câmara dos Deputados. Segundo análises dos especialistas em política, traduz-se que tudo continuará como antes nas duas casas legislativas.

O momento difícil pelo qual passa o país, onde temos um governo negacionista, omisso e pouco preocupado com os brasileiros, em teoria, haveria de requerer a presença e atuação firme do congresso nacional, de acordo com a constituição, os deveres e valores republicanos, exigindo de maneira firme posicionamentos do governo.

Porém, o Senado da República claramente abriu mão da prerrogativa de “Casa Revisora”, para se colocar de joelhos diante do poder executivo, dando a entender o propósito de impedir que leis duras e eficazes contra a corrupção avancem. A Câmara dos Deputados, segue no mesmo caminho – basta lembrar que o projeto aprovado no senado, de autoria do Senador Álvaro Dias, que autoriza prisão em segunda instância, está plácida e tranquilamente engavetado pelo atual presidente da casa, deputado Rodrigo Maia. A história, felizmente registra – e cobrará – tudo isso.

Com a clara omissão do congresso nacional, sente-se que o país está ao deus-dará, sem norte, uma nau sem rumo e com o congresso nacional acompanhando de longe as picuinhas diárias causadas por um chefe de governo que minimiza os milhares de brasileiros mortos pela Covid-19, se dirige de maneira agressiva a profissionais de imprensa, que cumprem seu dever e sua missão, além de se referir diretamente  a um jornalista, e chama-lo de “canalha”, como fez com William Bonner. Isso para não citar as trapalhadas na política externa.

Sem contar que atribui “à mídia” – que cumpre o sagrado dever de informar – seus fracassos e desmandos.

Voltemos nossa atenção para a bancada goiana: dezessete deputados federais e três senadores. Como têm agido esses senhores? Em prol da sociedade goiana e até mesmo em prol do país? Ou fazem o jogo do poder central?

O que têm feito por Goiás os senadores Luiz Carlos do Carmo (que assumiu como suplente a vaga deixada por Ronaldo Caiado), Vanderlan Cardoso e o polêmico, midiático e venerado Jorge Kajuru? Presença constante apenas em redes sociais alimentadas por assessores, não devem ser o único fator para avaliação do mandato de um parlamentar.

E os deputados federais? Soldados de um exército que protege e agrada incondicionalmente a seu comandante? Ou independentes, agem de acordo com os interesses da coletividade e cumprem a missão confiada a eles pelo voto dos eleitores?

Aliás, um fato sempre chama a atenção: após eleito, um parlamentar vota, ou trabalha contra os interesses da população, justifica o ato em nome “da governabilidade”, ou “por atitude republicana”.

2022 está muito próximo. Importante o eleitor procurar lembrar em quem votou em 2018 e buscar saber como foi e está sendo atuação dos parlamentares de Goiás, seja estadual ou federal.

E votar em quem tem real compromisso com o bem comum, com a sociedade.

Lembrando: 2022, está logo ali!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

DESINFORMAÇÃO É CRIME?

 

Imagem: Pixabay


Dona Maria (nome fictício) tem 76 anos, é viúva e possui várias comorbidades, como hipertensão arterial, diabetes e obesidade. É matriarca de uma prole de vários filhos e netos – muitos ainda moram sob seu teto e dependem do minguado salário do INSS, a que fez jus por ter a maior parte da vida, trabalhado como agregada – ela o esposo – em fazendas da região de Goiânia. Além do trabalho doméstico, não foram raras as vezes em que pegou no cabo da sem graça, para ajudar no eito.

Assim como a maioria dos que viviam na zona rural, um dia teve que vir para a cidade, juntamente com a família. Os filhos mais velhos, alguns analfabetos, já tinham sua colocação na vida, mas os menores precisavam de escola e a fazenda, o meio rural, nada mais tinha a oferecer a ela e a seus familiares, além de uma tapera para morar de favor, sem garantia de vínculo ou trabalho.

Foi assim que um dia, em uma carroça emprestada, fazendo várias viagens, trouxeram os poucos pertences para um pequeno barraco que uma filha havia adquirido, após longos anos de trabalho, reformado com ajuda de todos os filhos. Como a maioria das famílias que deixam o campo, foi morar em um bairro da periferia de Goiânia, com todos os problemas comuns a essas comunidades: pobreza, violência, tráfico de drogas, deficiência e ausência de serviços públicos, etc.

Nessas periferias ocorre o fenômeno da proliferação de pequenas “igrejas” ditas evangélicas, algumas com nomes bizarros, que em sua maioria, alugam uma pequena sala, colocam algumas cadeiras, um púlpito rudimentar e arregimentam algumas “senhoras”, que têm a função de captar fiéis para o empreendimento religioso. Algumas dessas senhoras chegam a deixar sua família de lado, priorizando o “trabalho” na igreja, vendendo rifas, além de tentar trazer para a “sede” pessoas que possam seguir aquele líder.

Tais entidades, muitas sem um registro formal sequer, não tem tradição nem dirigentes formados em Teologia, por exemplo. Na verdade, o dirigente autointitulado pastor, bispo ou até apóstolo, é um único líder, que arvora para si procuração divina e em nome de Deus, passa a oferecer até milagres.

Não quero aqui desmerecer o trabalho, a religiosidade e a importância das verdadeiras, igrejas. São, e sempre foram importantes para a sociedade. E a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 5º estipula como inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo suas liturgias.

Voltando à periferia de Goiânia, à casa da Dona Maria, por ser uma pessoa simples e que gosta de uma boa prosa, com frequência recebe em sua casa pessoas até desconhecidas, que em nome de algumas igrejas, tentam arrancar dela alguns caraminguás, ou até mesmo, uma promessa de dízimo, afinal, argumentam, “ela precisa devolver pra Deus uma parte do que recebe”.

Recentemente, ela recebeu a visita de duas senhoras que disseram ter sido enviadas pelo líder da igreja da esquina próximo à sua casa, e que tinham algo muito importante a dizer. Convidadas e entrar, após um café e um suco, finalmente informaram o motivo pelo qual estavam ali: o fulano, líder da igreja com sede mundial ali mesmo no bairro, teria tido uma revelação do Espírito Santo e que nesse contato com o Divino, recebera a missão de “orientar” as pessoas a rejeitarem a vacina contra a Covid-19, que está prestes a chegar, apesar do atraso e da leniência do governo federal.

Ora, o que se entende em um caso como esses? Primeiramente, estão utilizando um tema recorrente, muito atual, para arregimentar fiéis e arrancar deles dinheiro, dinheiro parco, pouco, que mal dá para custear despesas de casa, alimentação e claro, como todos os idosos pobres do país, medicamentos.

Dona Maria não gosta de usar máscara, sente muito a ausência constante de filhos, filhas e netos, e ficou muito confusa com essa informação da “presidente da comissão de mulheres” da dita igreja.

Casos como esse só acontecem, por causa do negacionismo absurdo do presidente Jair Bolsonaro, da sua incompetência em gerir uma crise sanitária grave, que já ceifou a vida de duas centenas de milhares de brasileiros – segundo números oficiais – e que a cada aparição pública,  constrange mais o povo brasileiro e supostamente macula a instituição Presidência da República.

Tem o hábito perverso de culpar a imprensa, algo fácil, e claro, estratégia largamente usada por ditadores de agora e do passado. Um país livre não se faz sem imprensa livre. Felizmente, a imprensa noticia e mostra claramente com provas a necessidade e a eficácia das vacinas.

Uma campanha maciça de esclarecimento à população, movida até mesmo pelos governos estaduais ou municipais, evitaria casos como esse, onde pretensos líderes religiosos, em busca do mirrado dinheiro de pobres aposentados, utilizam a desinformação e a boa fé de pessoas humildes. Tal desinformação, em um momento tão difícil como esse, pode custar vidas. E isso não seria crime?

A esclarecer!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

2021: REALIDADE E DESAFIOS!

 

Imagem de sarajulhaq786 por Pixabay 


Eis que estamos em 2021. Superamos um ano muito difícil, que foi 2020. Ano que, além de difícil, foi em sua maior parte trágico, cruel até.

Aos problemas já comuns que acompanham a sociedade brasileira, como desemprego em massa, violência urbana, crescimento de milícias e tráfico de drogas, trânsito e mobilidade extremamente complicados, se juntou a pandemia causada pelo Coronavírus, que trouxe consigo uma doença fatal e avassaladora.

No momento em que escrevo esse artigo, nos aproximamos do número trágico de duzentos mil brasileiros mortos pela doença, além de um elevado volume de mortes mundo afora. O mais triste e lamentável é que em poucos dias chegaremos à marca de duas centenas de milhares de vítimas.

No seu dia a dia, o brasileiro sente enormemente os efeitos causados à economia pela pandemia., O primeiro é a absurda elevação de preço dos gêneros de primeira necessidade – carne, arroz, feijão, óleo de soja, produtos de limpeza e higiene – que tiveram seus valores reajustados de maneira tal que nos fazem lembrar os tempos da década perdida de 1980, quanto tínhamos inflação mensal de dois dígitos.

As alegações para os aumentos são muitas, quase sempre, respaldadas pelas leis de mercado, ou pela lei da oferta e da procura. Maior demanda, maior o preço. Não sei até quando isso está certo ou se está certo. O fato é que aquilo que os mais antigos chamavam de “carestia” voltou com força total.

Início de ano, os “is” voltam á nossa rotina, IPVA, IPTU, ITU e outros impostos que a cada janeiro se apresentam em nossas vidas, e são impositivos, não tem como adiar ou deixar de pagar. Obrigação de todo cidadão.

Nas administrações municipais, muitas estão com novos prefeitos. Também, nos legislativos, muitas caras novas. Espera-se destes senhores e senhoras, eleitos para comandarem os destinos de nossos municípios, que tenham sensibilidade e não ajam única e exclusivamente, para punir o bolso e atravancar a vida do cidadão, que não suporta mais tanta carga de impostos e obrigações. E que efetivamente e trabalhem pelo social, pela cultura, pela arte e pelo efetivo progresso de nossas cidades.

Mas, diante de tudo isso, algo ainda mais forte preocupa o cidadão: as constantes atitudes do presidente da República Jair Bolsonaro, no sentido de negar a Covid-19, e com cotidianas situações onde promove desrespeito e falta de consideração com aqueles que o elegeram, e torna o ambiente do país incerto e desesperançado.

Primeiramente, a negativa em obedecer a regras, subvertendo decretos e normas legais e exigíveis, como evitar aglomerações e usar máscara facial. Segundo, a atuação do próprio presidente e seus auxiliares, no sentido de conter investigações, promovendo cada vez mais a impunidade e a certeza que, o roubo ao erário público, desde que feito por políticos, não deve ser punido, afinal, eles precisam manter seus cargos, garantir suas reeleições; e o povo que se dane.

Ainda assim, tenho esperança em um futuro melhor para meu país. O povo precisa começar a se preparar para votar bem em 2022. Em 2020, deu mostras que começou a entender que não podemos ficar á mercê deste ou daquele grupo político, que embora antagônicos e se engalfinhem nas redes sociais, se unem na mesma trincheira para garantir impunidade e perpetuar a corrupção – até se dizem velhos amigos.

Que 2021 seja um ano de recuperação econômica e de retomada da consciência da população. Extremos à parte, que o cidadão de bem, que trabalha, cumpre suas obrigações e não endeusa ou tem políticos ladrões e corruptos de estimação, seja novamente decisivo na escolha de um nome para conduzir os destinos de nossa nação.

Afinal, o Brasil precisa se livrar dos grilhões da corrupção e da impunidade que a mantém, e assim, perpetuam a miséria e a violência.

Que assim seja!


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