sexta-feira, 6 de março de 2015

MULHER, MÃE, GUERREIRA...




Eu era bem criança e quando me levantava cedinho, ia de encontro ao sorriso e carinho de minha mãe, que me tomava nos braços, e depois dar-me a bênção, vinha cobrir-me de beijos e afagos. Trazia o café da manhã, simples mas cheio de sabores, composto por tapioca, leite e algumas rosquinhas de nata, feitas no forno do velho  fogão à lenha.
Ainda de pijama eu ficava a observar minha mãe em sua labuta. Ora mexendo nas panelas, ou catando feijão para cozinhar – naqueles tempos não havia panela de pressão – indo ao quintal para dar milho às criações e a arrumar uma trouxa de roupas para levar até o pequeno córrego, onde, ao lado de outras mulheres, passava boa parte da manhã.
Eu a acompanhava. O radio era companheiro inseparável. E quando cansavam de ouvir o radio, entoavam juntas cantos dolentes, que diziam de lugares, de brincadeiras de roda, de tempos idos e saudosos.
Depois de colocar a roupa para secar, era hora de voltar para a casa. Um breve intervalo para o almoço, quando meu pai chegava.  E novamente, voltar à lida incansável, organizar a cozinha, dar comida aos animais e voltar para o córrego e recolher as roupas limpinhas e agora secas. De volta, passar as roupas simples com o ferro de brasa. E eu ali, em certa distancia ouvindo suas cantigas, ou o radio que a acompanhava.
Ao fim da tarde, quando meu pai chegava da roça, havia sempre uma conversa alegre entre os dois, cheia de gestos de carinho e companheirismo.
Então papai me chamava e eu ao lado do cachorro Guamá, corria para o córrego, agora vazio e sem o canto das lavadeiras. Nos deliciávamos no pequeno riacho, com as brincadeiras de  papai, que jogava água em mim e me ensinava a nadar. No inicio, sentia medo da agua, mas a confiança era maior e aos poucos tudo se tornava alegria e felicidade.
Hora de voltar e vestir a roupa limpinha e cheirosa, passada no ferro de brasa. Jantávamos e vinha a hora mais esperada do dia, quando papai tocava o violão e mamãe buscara no coração os poemas e as cantigas de sua época. Mas, o sono chegava e mamãe me agasalhava e carinhosamente me levava até a cama, para mais uma noite de inocente sono.
Um dia, deixamos a Fazenda Nova América para trás. Mudamos para a cidade. Cidade pequena, onde meu pai montou uma pequena venda, que tinha de tudo um pouco, desde fumo, querosene para as lamparinas até camisas e mantimentos.
Mamãe sempre presente, agora de maneira diferente. Talvez as preocupações tenham aumentado, afinal cidade é muito diferente da fazenda – mas sempre ao lado de meu pai para o que fosse necessário. E meu pai, não dava nenhum passo sem dialogar ou pedir opinião de minha mãe. Agiam sempre de comum acordo.
O tempo passou. Hoje eu vejo o exemplo de minha mãe em tantas mulheres, como minha esposa, minhas filhas, minhas irmãs e pessoas amigas. Vejo mães, avós, mulheres que perdem noites de sono, preocupadas com a saúde, com o bem estar de filhos ou netos. Mulheres que trabalham em dois, três turnos diariamente para prover a família, daquilo que ela necessita para viver.
Ao contar a história, a rotina de minha saudosa mãe, faço uma homenagem às mulheres de fibra. Às mulheres que constroem o mundo, que nunca fogem às responsabilidades, às vezes sendo mãe e pai.
Às mulheres minha homenagem. A mulher é muito forte, sempre foi muito forte. Posso afirmar que sem as mulheres, o amor não seria tão puro e profundo. Deus, em sua infinita sabedoria, foi muito generoso com a humanidade. Parabéns às mulheres! Parabéns!






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