sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

EM BUSCA DE ONDE DEUS POSSA ME OUVIR

                Em um dia qualquer dessa semana me encontro a viajar aos recônditos da alma, aos escaninhos do coração. Viagem sem preocupação com inicio ou fim, sem paradas obrigatórias, a revisitar lugares, reviver momentos, buscar reencontros.
                Reencontros esses necessariamente com relevantes alegrias e - talvez com algumas quase esquecidas tristezas, momentos nem sempre bons, mas felizmente superados. O lado bom é que tristezas a gente vai sempre deixando pra lá, esquecendo-as.
                Em dado momento me enterneço com o canto dos pássaros que povoam meu quintal. Me vejo sob a frondosa mangueira que, depois de safra generosa e farta, quando se curvara ante o peso dos inúmeros frutos vergando seus galhos quase ao chão, como a facilitar para que fossem colhidos parece afirmar: “agora preciso descansar, me preparar para o próximo ano”. Natureza mãe, que cuida e alimenta seus filhos.
                Dali me vem a vontade de sair caminhando, apreciando o cair da tarde. Em direção a um belo pôr-do-sol caminho em silêncio, ouvindo apenas o quase imperceptível farfalhar dos passos caminhados. No rosto, sinto a suave e agradável carícia de leve brisa. Momento de intrínseca e particular solidão.
                À lembrança me vem as ultimas noticias do mundo dos homens. Ódios, guerras, incompreensão, desonestidade, traições. Muitos fomentam o ódio e o rancor por motivos inimagináveis e fúteis, apenas pela cor da pele, nacionalidade, credo ou pura e simplesmente pela cor da camisa do time do coração. Dor incompreensível.
                Nas ruas e avenidas carros em sua lenta procissão de fé. Querem andar, querem sair do lugar, mas o trânsito engarrafado não permite. Carros com apenas um motorista e quatro lugares vazios. Sejamos solidários, mas... para oferecer solidariedade necessariamente teríamos que ter confiança. O ser humano merece confiança?
                Em sentido inverso, felizmente ainda vejo pessoas se amando, se confraternizando e renovando laços de amor e amizade. Felizmente o mundo não é só ódio ou tristeza.
                Há muitas cidades onde se vê ainda ao fim da tarde pessoas em frente suas casas, nas varandas a conversar. Crianças ali perto em lúdico e inocente momento. Felicidade presente. Enquanto a conversa flui naturalmente, sente-se o cheiro delicioso dos pães de queijo sendo assados, para em breve, acompanhados de café feito na hora serem degustados.
                Me vejo de volta ao presente através de uma canção.  Canção que afirma que devo viajar ao interior do meu interior. Ao íntimo do coração. Talvez nessa viagem eu chegue a esse local maravilhoso, local de paz e harmonia. Onde Deus possa me ouvir.


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2 comentários:

  1. Nosso Poeta Escritor_Goiano escreve com alma. Rega de sentimentos e amor sua escrita. Sua pena corre livre, apaixonada e verdadeira nas folhas brancas. Impondo-lhes a essência d'alma desse nosso nobre e contemporâneo escritor. Nosso querido escritor do nosso amado Goiás!
    Muito bom!
    Reinaldo Bueno

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  2. Seus textos me faz pensar, me acalma, enche meu coração de ternura, me faz viajar,sonhar! Esse texto em epecial está maravilhoso! Essa musica é linda! Parabéns e que Deus possa nos ouvir e te abençoar sempre para que vc nunca pare de escrever e nos deixar assim ... com coração cheio de Paz e Harmonia ao ler tão belas palavras!

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