sexta-feira, 21 de setembro de 2012

RECOMEÇOS... DE PRIMAVERA



Os últimos dias do inverno foram secos, quentes e abafados. Folhas caídas espalhadas pelo chão indicam renovação. Uma garoa chega na madrugada, como para limpar a poeira das folhas, preparando-as para a chegada da alegre primavera.
O canto das cigarras que foi surgindo tímido, ora aqui, ora acolá, agora é um vigoroso espetáculo de sons da natureza. E como é acalentador o canto das cigarras.
Já faz alguns dias que todas as manhãs, aos primeiros raios de luz, bem próximo à minha janela, dois sabiás me oferecem belo e enternecedor concerto.  Com seu canto dolente tocam o coração. Impossível não buscar a saudade guardada nos recônditos, nas lembranças da infância vivida nos quintais da Fazenda Nova America, da querida São Miguel do Araguaia ou da bela e acolhedora Silvânia.
 Ao canto dos sabiás, juntam-se ao longe o dos alegres e arteiros bem-te-vis em irregular diálogo sonoro. Bandos de pardais em seus vôos para lá e para cá parecem desafiar os “tizis” saltadores.  A natureza em suas manifestações traz nitidamente a alegria de seus filhos. Pássaros, arvoredos.
No meio da tarde, leve chuva, precedida por ventos mais intensos.  Apenas alguns minutos de chuva serviram para descortinar mais ainda o verde quase esquecido nas folhas das arvores. Folhas novas, acompanhadas de novas flores.
Primavera por chegar. Primavera que é necessariamente o recomeçar da vida. Tempo propício ao acasalamento das espécies. Ninhos construídos e muitos já ocupados. O cuidado das mamães e dos papais com as novas criaturas.
Flores de diversas cores e matizes. Breve serão frutos que alimentarão pássaros e animais, que hão de espalhar as sementes, propiciando a seqüência da vida em interminável ciclo.
Inverno, Primavera. Penso como às vezes mergulhamos em interminável inverno. Frio, seco, desesperançado. Inverno onde ficamos a mercê do ir e vir de ventos gélidos que tocam violentamente a face, doendo n’alma.
Em determinados momentos parece que brincamos de esconde-esconde com a felicidade, que teima em não permitir que a encontremos. Por mais que se busque e tente determinados sucessos, muitas vezes os esforços são infrutíferos e quase em vão. Dificuldades, sofrimento, mas ainda muita persistência.
Eis que de repente ventos bons de esperança descortinam em alegre primavera e deixam o triste inverno para trás. Passamos a ver poesia, a marcar encontros consigo mesmo, a sentir emoções esquecidas, a ter fé e certeza da vitoria. O que antes era tão difícil, barreira intransponível, rochedo íngreme e inacessível passa a ser apenas a cotidiana, rotineira e natural batalha pela vida. Nada mais que isso.
O canto dos sabiás, a chuva fina e tímida, os ventos mais frios e as folhas verdes nas arvores determinam a chegada da primavera. A mesma primavera cheia de alegria, fé, esperança e dias sempre melhores. Bem vinda, primavera. Da vida e das flores.

Um comentário:

  1. Lindo texto! Também fiquei mto feliz com a mudança dos últimos dias. Parece que até os pássarinhos tb ficam mesmo em festa qdo passa aquele tempo abafado e esquisito :)
    Grande abraço!

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