sábado, 9 de agosto de 2014

CASINHA BRANCA, DE SAUDADE





Ela ainda resiste...
Abandonada, de portas e janelas fechadas,
No meio do pasto, quase encoberta pelo capim
Que alimenta o gado...
No antigo quintal, sombra e o verde das
Mangueiras imponentes
 E laranjeiras esquecidas...

O terreiro, em frente
Já foi palco de encontros,
Olhares, toques de mãos tímidas,
Sob a luz da lua
E testemunho de estrelas distantes,
Em noite de viola e canções
Ao lado de uma fogueira.

Ali viviam moças que sonhavam
Com sapatos de salto, vestidos rodados,
Príncipe encantado
E batom vermelho na boca carmim...

Ali viviam rapazes
Que sonhavam plantar uma roça
Obter colheita farta
E assim. comprar uma bicicleta nova:
Águia imperial... Ou águia de ouro.

Nas noites insones era possível
Contemplar a luz da lua
E o caminhar das estrelas 
Através das frestas do telhado irregular.

Um dia todos se foram...
Seguiram caminhos
Que não vem em direção à casinha branca,
Que ficou vazia... Abandonada...
Como companhia, as reses no pasto,
Pássaros que fizeram ninhos nos beirais
E urutaus em noites longas, sem luar...

Todos se foram.
Ficou a melancolia e a poesia
De uma casinha branca no meio do pasto
Onde em tempo distante
Ouviu-se o entoar de canções,
Em noites de luar e viola.
E acalentou-se sonhos de amor,
Com a cumplicidade das estrelas.

-*-


#Deumpoetaqualquer


Um comentário:

  1. Que lindo poema bucólico! A simplicidade sempre é a melhor poesia!

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